Arquivar dezembro 2015

Festas das editoras independentes no Jabuti

Obra editada pela Alameda venceu como Livro do Ano na categoria não ficção. Independentes ainda foram premiadas em outras seis categorias

 
 
Sete editoras independentes associadas à Liga Brasileira de Editoras (Libre) foram agraciadas com o 57º Jabuti, o mais importante prêmio literário do Brasil — Alameda Casa Editorial, Cosac Naify, Pallas e Pallas Míni, Terceiro Nome, Pulo do Gato e Balão Editorial. A cerimônia que anunciou os vencedores de 2015 aconteceu no último dia 3 de dezembro, no auditório do Ibirapuera, em São Paulo.
 
Publicado pela Alameda Casa Editorial, ‘A casa da vovó: uma biografia do DOI-Codi (1969-1991), o centro de sequestro, tortura e morte da ditadura militar’, do jornalista Marcelo Godoy, venceu como Livro do Ano, na categoria não ficção. ‘A casa da vovó’ é um livro-reportagem que mostra como operava o DOI-Codi, órgão de repressão para onde eram levados e onde sofriam torturas inimigos do regime durante a ditadura militar.
Concorreram ao Jabuti 2.575 livros em 27 categorias. Foram premiados os três primeiros colocados em cada categoria. As editoras independentes também foram contempladas com os seguintes prêmios:
Contos e Crônicas – 2º Lugar – ‘Dez Centímetros Acima do Chão’ – de Flavio Cafiero – Cosac Naify; 3º Lugar – ‘Olhos D’água’ – de Conceição Evaristo – Pallas Editora; Gastronomia – 1º Lugar – ‘Gente do Mar – Vida e Gastronomia dos Pescadores Brasileiros’ – de Ricardo Maranhão – Terceiro Nome; Ilustração – 2º Lugar – ‘Lobisomem sem Barba’ – Ilustrador: Wagner Willian – Balão Editorial; Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil – 1º Lugar – ‘A Força da Palmeira’ – Ilustradora: Anabella López – Pallas Míni; Romance – 2º Lugar – ‘Caderno de um Ausente’ – de João Anzanello Carrascoza – Cosac Naify; e Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil – 2º Lugar – ‘Os Três Ratos de Chantilly’ – Ilustrador: Alexandre Camanho – Pulo do Gato.
 
 
 

Convidados internacionais falarão sobre bibliodiversidade

Três editores internacionais são destaques na programação da Primavera Literária, edição do Rio de Janeiro, promovida pela Liga Brasileira de Editoras (Libre), de 3 a 6 de dezembro, no Museu da República. O francês Gilles Colleu, o chileno Paulo Slachevsky  e o argentino Guido Indij estarão no Rio para falar sobre bibliodiversidade, a pluralidade cultural aplicada ao livro — de vozes, temas, títulos, culturas, editoras, autores e ilustradores. Os três participam da mesa  Os desafios atuais da bibliodiversidade, na sexta-feira (4/12), às 18h30. 
 
Os princípios da bibliodiversidade visam a democratizar e a dar voz às expressões da cultura independente.  O conceito nasceu na América Latina e se difundiu rapidamente nos países hispânicos e na França durante a década de 1990. 
 
No Brasil, a Libre e suas 130 editoras associadas são as principais porta-vozes da bibliodiversidade.

Confira o perfil dos convidados internacionais.
 

Gilles Colleu (francês) é editor e professor associado no departamento Métiers du livre au sein de l’Université de la Méditerranée à Aix-en-Provence. Trabalha há 25 anos como consultor para pequenas, médias e grandes editoras e participou da realização de mais de 1.500 obras. Além disso, é o autor de títulos multimédia culturais para jovens, traduzidos para vinte idiomas. Gilles criou e dirige com Jutta Hepke as edições Vents, cujo catálogo tenta construir pontes entre as culturas do Sul e as culturas do norte. Seus trabalhos mais recentes questionam os aspectos sócio-econômicos e as mudanças pelas quais passa o setor editorial, como a mercantilização e a financeirização do livro. Associou-se em 2002 à Aliança Internacional dos Editores Independentes, que tem como um dos propósitos defender a bibliodiversidade. Através de seminários, artigos e intervenções, Gilles dá especial ênfase aos mecanismos que colocam em risco a diversidade cultural em nível mundial. 
 
Guido Indij (argentino) é editor, livreiro, ilustrador, fotógrafo e gestor cultural. Editou mais de 400 livros. Coordena várias coleções para as editoras La Marca Editora, Asunto Impreso e interZona. Dirige as livrarias Asunto PLUS y Librería de la Imagen. Foi fundador e secretário da Edinar (Alianza de Editores Independientes de la Argentina por la Bibliodiversidad), coordenador da Red Hispanohablante da Alianza Internacional de Editores Independientes e pró-secretario da Cámara Argentina del Libro. Criou o Dia Internacional da Bibliodiversidade, que desde 2010 cresce e se multiplica em dezenas de países.  
 
Paulo Slachevsky  (chileno) é diretor e cofundador da Lom Ediciones, fotógrafo, editor e jornalista. Recebeu a distinção de Oficial da Ordem das Artes e das Letras da França (2005). É coautor de Indústrias culturais: uma contribuição para o desenvolvimento (2004) e Diversidade cultural: um debate internacional, um debate no Chile (2004). Além dos livros fotográficos: Terra de humo (coeditado com Silvia Aguilera, 1996) e Nosso pão de cada dia (com Claudio Pérez , Oscar Navarro e Carlos Tobar, 1986). É membro do Conselho Editorial de Rocinante. Atualmente trabalha no Le Monde Diplomatique (Chile).