A primeira vez na Feira de Frankfurt

POR LEONARDO CAZES, ENVIADO A FRANKFURT*

RIO — A Feira do Livro de Frankfurt de 2015, que acaba neste domingo, marcou a estreia de editores de casas brasileiras independentes no maior evento do mercado editorial no mundo. Raquel Menezes, da Oficina Raquel, Cide Piquet, da Editora 34, e William Oliveira, da Apicuri, foram a Frankfurt pela primeira vez a partir de um convite do governo alemão. Os três passaram ao largo dos leilões milionários por direitos de best-sellers e aproveitaram a oportunidade para conhecer o trabalho de editoras estrangeiras com perfil semelhante e apresentar os seus próprios catálogos.

Piquet, que participou neste sábado de um debate sobre edição de poesia com Luís Maffei, da Oficina Raquel, no estande do Brasil, conta que vai voltar para casa com cerca de 30 livros apresentados por editores estrangeiros. Ele afirma que o foco principal não foi fechar negócios, apesar de algumas conversas terem se iniciado.

— Tive contato com agentes e editoras de vários países com perfil semelhante ao da 34. São casas menos visadas pelos grandes grupos e que estão antenadas na produção local, em autores novos com substância — diz Piquet.

Raquel Menezes, que também é presidente da Libre (Liga Brasileira de Editoras), conta que houve bastante interesse pelo seu catálogo infantil. Na sua opinião, apesar das diferenças de tamanho e de orçamento, o negócio do livro, para o qual a Feira de Frankfurt é voltada, é o mesmo para todas as editoras.

— Essa é a feira do negócio, e, apesar de diferentes cifras, o nosso negócio é o mesmo — afirma Raquel, que faz questão de ressaltar que ser independente não é, necessariamente, ser pequeno. — Conversei com editoras independentes alemães, que têm um modelo de negócio mais parecido com o nosso. Ser independente não é não ganhar dinheiro, mas apostar numa filosofia que não é a dos grandes grupos. É trabalhar com criatividade para ser sustentável publicando obras importantes, mas que não dão retorno financeiro.

Neste domingo, haverá a passagem de bastão entre o país homenageado este ano, a Indonésia, e o de 2016, Holanda e Flandres, região no norte da Bélgica onde se fala holandês. Junto com a homenagem à França, em 2017, o movimento mostra que a feira está se voltando para mercados editoriais mais dinâmicos, depois de dar destaque a Argentina (2010), Islândia (2011), Nova Zelândia (2012), Brasil (2013) e Finlândia (2014).

* O repórter viajou a convite do Consulado da Alemanha no Rio.

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