Primavera da Libre chega a Salvador com programação para toda a família

Feira literária da Liga Brasileira de Editoras (Libre) terá lançamentos de livros, encontros com autores, saraus e programação infantil. De 27 a 30 de agosto, no MAM. Os livros terão até 50% de desconto. A entrada e toda a programação são gratuitas.

A Primavera da Libre terá sua primeira edição em Salvador, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), de 27 a 30 de agosto. A feira literária promovida pela Liga Brasileira de Editoras (Libre) nasceu no Rio de Janeiro, em 2001, como Primavera dos Livros, e este ano chega a Salvador. Além da feira de livros, a programação terá mesas de debate, encontros com autores, lançamentos e Sarau Pós Lida. Para as crianças, contação de histórias e oficinas de arte.

Veja aqui a programação completa

O evento é um espaço cultural onde as editoras mostram suas produções e interagirem com o público para discutir o livro e a leitura. Entre os nomes confirmados para participar da Primavera da Libre estão Mãe Stella de Oxóssi, Gil Velloso, Victor Mascarenhas, Sonia Rangel, Gustavo Falcón, Tamires Lima e Antonio Risério, entre outros. A entrada e toda a programação são gratuitas.

Maior feira literária independente do Brasil e uma das mais expressivas do gênero no mundo, a Primavera da Libre reunirá na edição baiana 38 editoras, com títulos que estarão com descontos de até 50%.  A diversidade dará o tom da feira e da programação literária, a partir da variedade de gêneros editados pelas editoras associadas à Libre.

“A realização da Primavera da Libre em Salvador é mais um passo importante que damos na direção da literatura de qualidade. A Libre pretende marcar cada vez mais presença na Bahia. Com uma cultura que remete às raízes brasileiras, o estado tem muito a contribuir para o avanço da bibliodiversidade, importante conceito que promove a pluralidade na literatura e é uma das principais bandeiras das editoras independentes”, explica Raquel Menezes, presidente da Liga Brasileira de Editoras.

As mesas temáticas serão: ‘O mercado editorial e os novos horizontes, ‘Literatura urbana e contemporânea’ e ‘A literatura infantil e a formação de leitores’. A importância da Primavera da Libre, uma das pioneiras entre as feiras literárias no País, é reconhecida no meio literário por autores, editores, ilustradores, críticos, jornalistas, indústria gráfica, distribuidores e livreiros. A ‘Primavera’ fidelizou um público ávido por livros nem sempre disponíveis nas livrarias e tem atraído cada vez mais leitores.

A última edição da Primavera no Rio de Janeiro, em 2014, recebeu cerca de 40 mil pessoas nos jardins do Museu da República, no Catete, um bairro de forte tradição política e cultural. Já passaram pela Primavera nomes como Roger Chartier, Heloisa Buarque de Holanda, Paulo Lins, Ruy Castro, Luiz Eduardo Soares, Mirian Goldenberg, Vik Muniz, Ondjaki e Alessandro Buzzo, entre outros.

LIBRE
A Liga Brasileira de Editoras (Libre) é a maior rede de editoras independentes do mundo, com 130 associadas de todas as partes do País. Constituída em 2002, tem como principais objetivos atuar pelos interesses das independentes e buscar espaços para discutir o livro e a leitura. A Libre é associada à Aliança Internacional dos Editores Independentes.

Desde 2001, a Libre realiza no Rio de Janeiro a Primavera da Libre, feira literária que oferece ao público títulos a preços acessíveis. Chegou a São Paulo, em 2003, e este ano, a feira já foi realizada em junho em Belo Horizonte e agora em Salvador. A Libre também promove a Primaverinha dos Livros, para crianças, no Rio de Janeiro.

Serviço
PRIMAVERA DA LIBRE
Feira literária com descontos de até 50%. Programação paralela: lançamentos de livros, encontros com escritores, debates e atividades para crianças
Realização: Liga Brasileira de Editoras (Libre)
Quando: dias 27, 28, 29 e 30 de agosto – Períodos matutino e vespertino
Onde: Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) – Solar do Unhão – Av. Contorno
Para todas as idades
A entrada e a participação nos eventos são gratuitas
Acesse:  www.libre.org.br

Inscrições abertas para o Prêmio Literário Biblioteca Nacional

Estão abertas, até o dia 10 de setembro, as inscrições para o Prêmio Literário Biblioteca Nacional em nove categorias: Conto; Ensaio Literário; Ensaio Social; Literatura Infantil; Literatura Juvenil; Poesia; Projeto Gráfico; Romance e Tradução.

Poderão participar brasileiros natos ou naturalizadas – autores, tradutores e projetistas gráficos- que possuam obras redigidas em língua portuguesa e publicadas por editoras brasileiras. Serão aceitas inscrições da mesma obra em, no máximo, duas categorias, onde uma obrigatoriamente deve ser de Projeto Gráfico.

Os prêmios contemplarão as obras, em primeira edição, publicadas e impressas no período de 1º de maio de 2014 a 30 de abril de 2015, que estejam em dia com a Lei do Depósito Legal (Lei 10.994, de 14 de dezembro de 2004) e que possuam número de registro ISBN (International Standard Book Number) válido no Brasil. Não será aceita a inscrição da obra cuja data de publicação esteja fora do período.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas, exclusivamente, por via postal, inclusive para os residentes no Rio de Janeiro e deverão ser encaminhadas para o seguinte endereço:

Prêmio Literário 2015
Fundação Biblioteca Nacional
Rua da Imprensa, 16 – 11º andar – sala 1110.
Palácio Gustavo Capanema
Centro – Rio de Janeiro – RJ
20030-120

O edital estipula ainda que as inscrições por intermédio de editoras serão permitidas como forma de assistência ao autor e apenas mediante autorização por escrito dele, que deverá ser anexada à ficha de inscrição.  Obras publicadas com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional ou coeditadas pela instituição não poderão ser inscritas. Leia aqui o edital completo.

O autor ou tradutor da obra selecionada em primeiro lugar de cada categoria será contemplado com o prêmio em espécie no valor bruto de R$ 30 mil sujeito aos descontos previstos por lei.

No caso de livro com mais de um autor, a inscrição deve ser feita apenas por um deles. Caso a obra seja vencedora, caberá aos autores, de acordo com contrato editorial, a divisão do prêmio. Os livros que fizerem parte de Coleção poderão ser inscritos individualmente.

Critérios como qualidade literária, originalidade e contribuição à cultura nacional serão analisados em cada uma das obras inscritas.

(Assessoria de Comunicação – com informações da Fundação Biblioteca Nacional Ministério da Cultura)

Circulação das artes é tema de seminário da PNA

O Ministério da Cultura e a Fundação Nacional de Artes realizam, em Brasília, nos dias 30 e 31 de julho, o 1º Seminário do processo de construção da Política Nacional das Artes (PNA).  O tema do evento – “circulação nacional e internacional das artes” – será aprofundado pelo presidente da Funarte, Francisco Bosco, logo no início das discussões.

Foram convidados para a abertura o diretor de artes do British Council no Brasil, Luiz Coradazzi, e o diretor geral da Redelat (Red de Promotores Culturales de Latinoamérica y el Caribe), da Colômbia, Octávio Arbeláez. Eles farão um panorama do funcionamento dos mercados das artes em relação à circulação de artistas e produções culturais, assim como, das políticas de incentivo à internacionalização das artes no Reino Unido e na Colômbia.

No segundo dia de atividades, o público e os representantes das seis linguagens – artes visuais, circo, dança, música, literatura e teatro – se dividem e participam de duas atividades: rodas de conversas com dois convidados de cada área, pela manhã, e grupos de trabalho, à tarde.

Mesas Redondas
Para tratar de artes visuais, estão confirmados a professora de Museologia, pesquisadora e diretora do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Manuelina Duarte (CE/DF) e o pesquisador e curador de arte contemporânea Moacir dos Anjos. Já os convidados da área circense são Carolina Garcez, responsável pela área de Circo na Gerência de Ação Cultural do Sesc-SP e a produtora e curadora do Festival Mundial de Circo (FMC), Fernanda Vidigal.

Personalidades da dança brasileira como a bailarina Iracity Cardoso e a professora e pesquisadora, Lenora Lobo, também participarão das atividades do dia 31 de julho. A mesa de literatura será representada pelo curador das edições 2014 e 2015 da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Paulo Werneck e a presidente da Liga Brasileira de Editoras (Libre) Raquel Menezes

A diretora e produtora musical Melina Hickson e o compositor e produtor musical Thiago Cury conduzirão as discussões na área de música. E para debater as questões relacionadas ao teatro, estarão presentes Dane de Jade, atriz-pesquisadora e atual secretária de Cultura do Crato (CE), e o diretor teatral, cenógrafo e figurinista, Márcio Meirelles.

Grupos de trabalho
Os grupos de trabalho serão formados com os participantes das discussões da parte da manhã que irão, à tarde, elaborar propostas efetivas para serem inseridas na Política Nacional das Artes tendo como foco o tema do seminário. Os trabalhos serão moderados pelos articuladores da PNA: Jacqueline Medeiros (artes visuais); Junior Perim (circo); Rui Moreira (dança); Sérgio Cohn (literatura); Cacá Machado (música) e Marcelo Bones (teatro).

As atividades serão abertas ao público e gratuitas, com transmissão ao vivo pelo site do Ministério da Cultura (MinC), www.cultura.gov.br e pela plataforma digital do PNA www.culturadigital.br/pna. As reuniões também serão gravadas em vídeo e disponibilizadas no canal do youtube do ministério.

Programação completa

30 de Julho – Quinta-feira
Palestras de Abertura: I Seminário Circulação Nacional e Internacional das Artes.
Horário: 19h
Local: Funarte Brasília (Eixo Monumental, Setor Divulgação Cultural – Brasília, DF)

31 de julho – Sexta-feira
Local: Edifício Parque Cidade (Edifício Parque Cidade Corporate – SCS Quadra 09 Lote C Torre B do 10 ao 12º andar).

9h às 12h30 – Mesas Redondas das Linguagens Artísticas com convidados
Artes Visuais: Manuelina Duarte (CE/DF) e Moacir dos Anjos (PE)
Circo: Carolina Garcez (SP) e Fernanda Vidigal (MG)
Dança: Iracity Cardoso (SP) e Lenora Lobo (DF)
Literatura: Paulo Werneck (RJ) e Raquel Menezes (RJ)
Música: Melina Hickson (PE) e Thiago Cury (SP)
Teatro: Dane de Jade (CE) e Márcio Meirelles (BA)

14h às 17h – Grupos de Trabalho das Linguagens Artísticas com mediação dos articuladores da Política Nacional das Artes
Artes Visuais: Jacqueline Medeiros
Circo: Junior Perim
Dança: Rui Moreira
Literatura: Sérgio Cohn
Música: Cacá Machado
Teatro: Marcelo Bones

Fonte: Ascom MinC

Prêmio São Paulo de Literatura 2015 recebe inscrições

Seguem abertas até o dia 19 de agosto as inscrições para o Prêmio São Paulo de Literatura. No total, serão distribuídos R$ 400 mil em prêmios, sendo R$ 200 mil para o autor do “Melhor Livro do Ano”, e R$ 100 mil para cada um dos autores vencedores da categoria de estreantes. Confira aqui o edital do concurso.

Para concorrer ao prêmio, os livros devem ser de ficção no gênero romance, escritos originalmente em língua portuguesa, com primeira edição mundial publicada no Brasil ao longo do ano de 2014. A ênfase no gênero é uma característica do Prêmio São Paulo de Literatura desde sua criação, em 2008, inspirado no britânico Booker Prize.

É possível concorrer em uma das seguintes categorias: “Melhor Livro do Ano” e “Melhor Livro do Ano – Autor Estreante Mais de 40 anos" e "Melhor Livro do Ano – Autor Estreante Menos de 40 anos". Serão inscritos na categoria “Melhor Livro do Ano” autores que já publicaram romances anteriormente. Já na categoria dos estreantes, os escritores podem ter obras publicadas em outros gêneros, o importante é que o livro inscrito seja o seu primeiro romance.

Serão três listas de finalistas, uma para “Melhor Livro do Ano” e duas para “Melhor Livro do Ano Autores estreantes” contendo a divisão +40 e -40 anos, cada uma delas podendo conter entre 2 e 10 livros, a critério do júri. Com isso, o número total de finalistas pode chegar a 30.

Criado em 2008, o prêmio já contemplou 16 romances, de mais de 1.200 inscritos, e tem o objetivo de estimular escritores e a leitura com a valorização da produção literária nacional. Mais informações no site do Prêmio São Paulo de Literatura.

Secretaria Municipal de Cultura seleciona instituição para elaboração do Plano Municipal de Cultura

Instituição sem fins lucrativos terá seis meses a partir da assinatura do convênio para auxiliar a Secretaria a elaborar o Plano Municipal de Cultura de São Paulo; inscrições vão até dia 20 de agosto

A Secretaria Municipal de Cultura recebe, a partir desta terça-feira (21/7), inscrições de instituições sem fins lucrativos interessadas em auxiliar o poder público municipal na elaboração do instrumento norteador das políticas culturais na cidade de São Paulo, o Plano Municipal de Cultura. A elaboração deste documento é parte dos compromissos resultantes da adesão da cidade ao Sistema Nacional de Cultura (SNC).

Estruturado para o período de 10 anos e formalizado por meio de Lei Municipal, o Plano Municipal de Cultura possibilitará ao setor cultural e demais áreas implantar políticas integradas que contribuam para o desenvolvimento do campo cultural. O projeto de elaboração do Plano Municipal de Cultura será realizado através de seminário de lançamento e oficinas presenciais de mobilização e capacitação técnica com ampla participação de gestores públicos de cultura; instituições, movimentos e coletivos culturais e artísticos; produtores, artistas, agentes culturais e cidadãos em geral, garantindo a efetiva contribuição de todos os interessados.

As instituições interessadas e os responsáveis pelos projetos deverão realizar cadastro na plataforma SP Cultura como AGENTES para poder inscrever-se no edital, cujas inscrições se estendem até 20 de agosto. Toda a documentação exigida no edital deverá ser enviada por meio da plataforma, ou seja, não serão aceitas proposta entregues pessoalmente ou enviadas por e-mail. 

Entre os critérios que serão considerados na avaliação das propostas por uma comissão formada por cinco representantes da Secretaria Municipal de Cultura estão: histórico e portfólio da instituição; experiência comprovada na elaboração de Planos de Cultura e desenvolvimento de processos participativos; adequação da proposta aos objetivos do edital; ficha técnica e currículo dos profissionais envolvidos no projeto; entre outros.

Um convênio assinado entre o Ministério da Cultura e a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo destina para este edital o montante de R$ 330.580,00.

Confira o edital na íntegra

Seminário avalia regulação de preço para ampliar acesso ao livro

Representantes do governo e de editoras nacionais e internacionais apoiaram no último dia 30 iniciativas para garantir o acesso de uma parcela maior da população aos livros. Uma das propostas em pauta determina a fixação de preço único a ser aplicado no prazo de um ano do lançamento. O tema foi discutido em seminário internacional promovido pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado (CE).

Os 500 livros mais vendidos no Brasil – que representam apenas 0,5% do total de publicações – concentram mais de 30% das vendas. Boa parte dos lançamentos são vendidos com descontos promocionais, que embora agradem aos moradores das grandes cidades e consumidores das principais redes de livrarias, dificultam o acesso nos locais mais afastados e encarecem os livros menos comerciais.

Um projeto em discussão no Senado cria a Política Nacional do Livro, que limita eventuais descontos sobre novas publicações a 10% durante um ano. Depois, os preços estariam liberados. Segundo a autora da proposta (PLS 49/2015), senadora Fátima Bezerra (PT-RN), a regulação de preços vai garantir a multiplicação dos pontos de venda e dos livros publicados.

— A grande vantagem dessa medida é resgatar a competitividade das livrarias menores. Mas também queremos resguardar o direito de todos os consumidores, e não apenas daqueles que vivem nos grandes centros urbanos, de terem acesso a produtos de qualidade e com conteúdo diversificado.

Jean-Guy Boin, diretor do Escritório Internacional da Edição Francesa, falou sobre a experiência de seu país, que adotou o preço fixo em 1981, depois do surgimento de grandes cadeias de livrarias e hipermercados, que praticavam preços mais baixos que as livrarias.

— Isso se traduziu numa situação muito dramática, com livrarias que fechavam todos os dias. Alguns best-sellers eram vendidos com descontos muito importantes, mas com o encarecimento dos livros de pouca venda.

Outro tema abordado foi a necessidade de regulação do mercado literário digital. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse que é preciso criar um sistema legal que mantenha o caráter aberto e a neutralidade da rede, mas capaz de proteger os produtores de conteúdo brasileiros.

— Essa ideia de que funcionam nas nuvens é uma ideia falsa, funcionam nas nuvens, mas negócios são terrenos. Para que não representem pirataria com os conteúdos nacionais e que não representem um sufoco para a cadeia do livro no Brasil.

Richard Charkin, presidente da Associação Internacional de Editores, elogiou a iniciativa do preço fixo e acrescentou que a medida deve ser acompanhada de políticas contra o monopólio e de ações de combate à pirataria.

(Fonte: Agência Senado)

Livro Falante lança livro sobre arte e a prática da presença vocal


Plena Voz: a arte e a prática da presença vocal

Você se fica rouco quando fala muito? Acha que passa mensagens diferentes daquilo que tenta expressar? Acredita que as pessoas ficam cansadas de escutá-lo? Mostra dureza quando gostaria de demonstrar carinho? Ou é visto como frágil quando precisaria impor autoridade? Aprenda a usar sua voz da forma mais adequada para cada situação. Para isso, Barbara McAfee trabalha com o conceito de “plena voz” e “presença vocal”. Todas as pessoas têm os Cinco Elementos identificados por Barbara como nuances da voz: Terra, Fogo, Água, Ar e Metal. Precisamos, às vezes, equilibrar o que nos falta ou sobra de cada elemento para assim encontrarmos nossa “plena voz”.

Entidades assinam manifesto em favor do PNBE

Programa de livros de literatura para bibliotecas escolares está ameaçado pelo contingenciamento de verbas no MEC

Em agosto de 2014, o mercado vivia apreensivo com o então iminente início da comercialização de livros físicos pela Amazon. Foi nesse contexto que, pela primeira vez na história, as entidades representativas da cadeia produtiva do livro se sentaram para reunir forças e lutar. Na época, o que se dizia era que a união do rebanho obrigaria o leão a dormir com fome. Um dos principais resultados dessa união é que, desde então, acontecem assembleias regulares e frequentes para discussão de temas de interesse do mercado. Foi dessa união também que ressurgiu a ideia da Lei do Preço Fixo, em tramitação no Congresso Nacional. A última cartada conjunta das entidades se deu durante a Flip, na Casa Libre/Nuvem de Livros, quando Associação Brasileira de Editoras de Livros Escolares (Abrelivos), Associação Nacional de Livrarias (ANL), Câmara Brasileira do Livro (CBL), Liga Brasileira de Editoras (Libre) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) entregaram à coordenadora da Frente Parlamentar Mista de Defesa do Livro, a senadora Fátima Bezerra (PT/RN), e a José Castilho Marques Neto, secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), uma carta intitulada Brasil, Nação Leitora. No manifesto, as entidades clamam pela continuidade de políticas públicas de inclusão da literatura frente à imposição de cortes nas verbas do Ministério da Educação. Uma fonte de dentro do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) revelou ao PublishNews que, embora o contingenciamento de verbas do Mec não esteja fechado ainda, a estimativa é que o orçamento para compras de livros terá um corte geral de 25%, o que teria forte impacto no Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). Essa realidade aterroriza o mercado que, como apontam os números, é fortemente dependente das compras governamentais.

“Entendemos que a formação de leitores, assim como a constituição de acervos de bibliotecas escolares com livros de literatura devem ser prioridades nas ações do Estado e, portanto, do Ministério da Educação. Só assim poderemos equiparar os direitos garantindo a mesma qualidade na formação a todas as crianças e jovens brasileiros, independente da cidade onde vivem, das carências e desigualdades de cada região”, diz a carta. O FNDE ainda não liberou verbas para viabilizar o PNBE Temático 2013, que já estava com contratos em andamento, e nem o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) de 2014, cujos livros já estavam selecionados e as editoras habilitadas para a negociação e o contrato. “Lamentavelmente, o processo de avaliação dos livros inscritos ao PNBE Temático 2015 também estagnou. De acordo com dados estimativos, as verbas destinadas ao PNBE Temático 2013 e ao PNAIC 2014, em conjunto, representam menos de 1% do valor do corte orçamentário de R$ 9,4 bilhões sofrido pelo Ministério da Educação”, diz a carta. “O atraso na execução desses programas e projetos já causa reflexos preocupantes na cadeia produtiva do livro, atingindo não somente editores e livreiros como também autores, tradutores, ilustradores, revisores e a indústria gráfica”, completa o documento.

A senadora Bezerra se comprometeu a entregar a carta à presidente da República e aos ministros da Educação e Cultura. Além disso, disse que a apresentará aos seus pares na Frente Parlamentar em Defesa do Livro, composta por 240 congressistas. “O nosso papel é nos colocar a disposição para fortalecer essa luta. O manifesto, além de legítimo, é oportuno. Estamos juntos nessa luta”, disse a senadora que prometeu ainda fazer esforços para viabilizar uma reunião entre as entidades e o ministro da Educação para tratarem do assunto.

"Brasil, Nação Leitora
"Liberdade, espontaneidade, afetividade e fantasia são elementos que fundam a infância. Tais substâncias são também pertinentes à construção literária. Daí, a literatura ser próxima da criança. Possibilitar aos mais jovens acesso ao texto literário é garantir a presença de tais elementos, que inauguram a vida, como essenciais para o seu crescimento. Nesse sentido é indispensável a presença da literatura em todos os espaços por onde circula a infância. Todas as atividades que têm a literatura como objeto central serão promovidas para fazer do País uma sociedade leitora. O apoio de todos que assim compreendem a função literária é proposição indispensável. Se é um projeto literário é também uma ação política por sonhar um País mais digno." BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS, in Manifesto por um Brasil Literário, 2009

A Associação Brasileira de Editoras de Livros Escolares, a Associação Nacional de Livrarias, a Câmara Brasileira do Livro, a Liga Brasileira de Editores e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, em nome de seus associados, vem manifestar sua preocupação em relação à continuidade da política pública de inclusão da literatura no âmbito da Educação Infantil e dos ensinos Fundamental e Médio, tendo em vista a imposição de cortes nas verbas do Ministério da Educação

A educação deve ser entendida no sentido amplo, sem se restringir a ensinar a criança a ler e a escrever, mas também a pensar, refletir e compreender. Através do hábito de leitura, a criança aumenta seu conhecimento sobre o mundo e se prepara para exercer sua cidadania.
Hoje, apenas 25% dos brasileiros alfabetizados são leitores plenos, o que significa que 75% não têm capacidade de compreender e interpretar textos, segundo dados do INAF — Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional.

Entendemos que a formação de leitores, assim como a constituição de acervos de bibliotecas escolares com livros de literatura devem ser prioridades nas ações do Estado e, portanto, do Ministério da Educação. Só assim poderemos equiparar direitos, garantindo a mesma qualidade na formação a todas as crianças e jovens brasileiros, independentemente da cidade onde vivem, das carências e desigualdades de cada região.

Um grande passo nesse sentido foi a criação, em 1998, do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), e seu desenvolvimento e aprimoramento ao longo dos últimos anos. Até 2014, este programa vinha cumprindo seu objetivo de "prover as escolas de ensino público das redes federal, estadual, municipal e do Distrito Federal, no âmbito da educação infantil (creches e pré-escolas), do ensino fundamental, do ensino médio e educação de jovens e adultos (EJA), com o fornecimento de obras e demais materiais de apoio à prática da educação básica". Na última década, o PNBE tornou-se um exemplo de sucesso na inclusão da literatura em sala de aula, e outros programas de igual importância foram também criados, como  o PNBE do Professor, o PNBE Periódicos, o PNBE Temático e o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC).

Estes programas permitiram aos alunos de todo o país o acesso a uma grande diversidade de obras literárias, de escritores e ilustradores nacionais e estrangeiros, obras estas que foram avaliadas e selecionadas por profissionais especializados em literatura e educação. Permitiram também que editoras de todos os portes participassem do processo de seleção e tivessem a oportunidade de incluir seus títulos nestes programas.

Em 2015, porém, segundo informações recentes da Fundação Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pela execução desses programas, não houve ainda a liberação de verbas para viabilizar tanto o PNBE Temático 2013, que já estava com contratos em andamento, quanto o PNAIC 2014 cujos livros já estavam selecionados e as editoras devidamente habilitadas para a negociação e o contrato. Lamentavelmente, o processo de avaliação dos livros inscritos para o PNBE 2015 também estagnou. De acordo com dados estimativos, as verbas destinadas ao PNBE Temático 2013 e do PNAIC 2014, em conjunto, representam menos de 1% do valor do corte orçamentário de R$ 9,4 bilhões sofrido pelo Ministério da Educação.

Além disso, o governo do Estado de São Paulo, em comunicado oficial, suspendeu a compra de livros para escolas e bibliotecas. Temos acompanhado notícias aterradoras de paralisia de ações em diversos estados e municípios, como o fim de um dos projetos mais emblemáticos do país, a Jornada Literária de Passo Fundo. Casos recentes que preocupam o caminho da transformação do Brasil pela leitura.

O atraso na execução desses programas e projetos já causa reflexos preocupantes na cadeia produtiva do livro, atingindo não somente editores e livreiros como também autores, tradutores, ilustradores, revisores e a indústria gráfica.

Entretanto, muito mais grave do que esse prejuízo tangível da cadeia produtiva do livro é o prejuízo incalculável e talvez irreparável causado a milhões de crianças e jovens brasileiros, que deixarão de receber livros de literatura em suas escolas, o que representará um grande retrocesso nas conquistas educacionais dos últimos anos e um dano irreversível ao pensamento livre e crítico da nossa população jovem.

Acreditamos que a leitura de livros de literatura, além de prioritária, é também um direito da criança e do jovem.

Quando a leitura literária for prioridade na Educação em nosso país poderemos clamar: Brasil, Pátria Educadora, Nação Leitora.

Paraty, 3 de julho de 2015"

(PublishNews – 06/07/2015 – Leonardo Neto)

Terceiro dia da Casa Libre e Nuvem de Livros na Flip recebe Chico Alencar e Maria Rita Kehl, discute ficção, crise e bibliotecas digitais

A Casa Libre e Nuvem de Livros encerrou seus trabalhos na FLIP com muitas chaves de ouro, que funcionarão, nas mentes de quem assistiu aos debates, muito mais como aberturas que como fechamento. Duas visitas nobilíssimas marcaram o sábado, 4 de julho.

Primeiro, Chico Alencar, deputado federal, escritor de vários gêneros, ativista há décadas, em síntese, um verdadeiro militante pelo Brasil, foi, como sua profissão original indica, um verdadeiro professor, que deu à grande audiência que afluiu à Casa uma aula de esperança e utopia. Chico, com a marca de uma consciência crítica que jamais perde o bom-humor e o sorriso, investiu, no seu diálogo com Alberto Schprejer, numa leitura de Brasil que aposta numa constante invenção, e reinvenção, da democracia e dos diversos direitos que possibilitam cidadania e mudança.

À noite, Maria Rita Khel, psicanalista e veemente pensadora contemporânea brasileira, diante de um público novamente numeroso, inquieto e atento, dialogou com Madalena Vaz-Pinto sobre uma série de questões de grande importância para a vida nacional (e não só). Maria Rita trafegou por temáticas tão diversas como a velocidade contemporânea, a televisão, a Comissão da Verdade e as manifestações de rua, traçando, na sinuosidade da reflexão desconcertante, um panorama provocativo do que seja viver no Brasil na atualidade.

Além das duas visitas memoráveis, dois debates também marcaram o sábado. Os escritores Guilherme Preger e Nathalia Alvitos, com a mediação de Claufe Rodrigues, discutiram criação, incertezas e viabilidades literárias na mesa “Versos e prosas da crise”. Já a apresentação da biblioteca digital Nuvem de Livros, revolucionária plataforma que é corresponsável pela Casa, coube a Roberto Bahiense, CEO da Nuvem e partícipe ativo do espaço que recebeu tantos momentos densos e intensos.

A Casa Libre e Nuvem de Livros despede-se de Paraty em 2015 com a certeza de que deixou indeléveis marcas naqueles que a prestigiaram, e prometendo voltar, com o mesmo ímpeto e ainda mais conteúdo, em 2016.

Segundo dia da Casa Libre e Nuvem de Livros discute política da leitura, educação e cultura, intolerância sexual, opressão e ficção

Para quem esteve na Casa Libre e Nuvem de Livros, na FLIP, nesta sexta-feira, 03/07, teve, certamente, uma jornada inesquecível. A multiplicidade dos debates e a riqueza da programação ficou evidente desde a manhã até a noite, período que assistiu a várias manifestações literárias, políticas e de pensamento.

Reunindo o Secretário do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), José Castilho, a Senadora Fátima Bezerra e os presidentes de importantes entidades representativas da cadeia do livro, Afonso Martin (ANL – Associação Nacional do Livro) e Raquel Menezes (Libre), o debate “Um país a ler” promoveu uma urgente conversa sobre, não apenas o livro como item indispensável de qualquer processo educacional responsável, mas também os impasses de um país que se proclama “Pátria educadora”. Foi entregue à Senadora o manifesto “Brasil, Nação leitora”, assinado pela ANL, pela LIBRE, pela ABRELIVROS (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares) pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) e pelo SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), que visa à preservação dos programas educacionais ligados ao livro diante dos atuais cortes orçamentários.

Dando ao tema intolerância, norteador da edição 2015 da Casa Libre, um enfrentamento veemente e direto, a mesa “Ditaduras: da exceção à opressão” reuniu Marcelo Godoy e Bruno Bimbi. Bimbi, autor do livro Casamento igualitário, da editora Garamond, relatou a luta que ajudou a concretizar na Argentina para a aprovação do casamento homoafetivo, além das mudanças que esse processo empreendeu nas mentalidades daquele país. Godoy, autor de A casa da vovó, da Alameda, comentou a experiência de pesquisa que o levou a conversar com diversos ex-integrantes do DOI-COD no período da ditadura militar brasileira, material que alimenta seu livro. A discussão, de fôlego, tocou o tema da intolerância por dois de seus flancos mais flagrantes e atuais, pois nosso tempo é pródigo em não aceitar a diferença no que toca à orientação sexual e em replicar diversas violências oriundas de procedimentos autoritários.

No território da culinária e da gastronomia, Carlos Dória trouxe sua reflexão já madura e sólida sobre a história da alimentação no Brasil, e também perspectivas e desafios que se impõem a esse campo. Além de suspeitar de qualquer relação com culinária que não seja, intrinsecamente, uma manifestação de e na cultura, Dória trafegou por vários aspectos de interesse em seu tema, como o entendimento do que seja culinária brasileira, nas vertentes que o autor chamou de “legítima” e “legível”.

Para encerrar dia tão especial, Antônio Torres, um dos mais destacados escritores brasileiros, e curador de literatura da Nuvem de Livros, deu uma grande e simpática aula para audiência embevecida. Torres comentou seus livros, processos de escrita, memória e o intrínseco comprometimento de seu trabalho com a criação de margens para a invenção de mundos no mundo.
A Casa Libre e Nuvem de Livros, mais uma vez, mostra seu compromisso com consistência e com uma postura de transformação do mundo pelo cultivo do livro e da leitura.