Primeiro dia na Casa Libre e Nuvem de Livros na Flip teve poesia, literatura negra e discussão sobre infância

Com significativa presença de público e a confirmação da aposta na bibilodiversidade, começou nesta quinta a programação da Casa Libre e Nuvem de Livros em Paraty. A partir do tema da intolerância, três mesas e um bate-papo se propuseram a diversos olhares e variadas perspectivas.

Rosana Mont’Alverne e Clovis Levi, autores ligados, de várias maneiras, à infância, discutiram o que seja “Ser criança neste mundo”. Os autores pensaram desde a necessidade do investimento numa educação includente, e nesse âmbito o papel da literatura infantil, até a triste realidade da exploração de crianças no mercado de trabalho.

Na sessão seguinte, Ana Paula Alves Ribeiro e Maria Alice Rezende, pesquisadoras da UERJ que refletem acerca do lugar do negro na cultura brasileira, discutiram diretamente a exclusão racial em vários de seus aspectos, além de desmascararem vários mitos da mestiçagem brasileira.

Os poetas Zé Luis Rinaldi e Luis Maffei trouxeram a peculiar e resistente voz da poesia ao debate, provocando lugares de diferença e tolerância a partir da especialidade do poético, especialmente num mundo tão dado a discursos prontos.

Enfim, Suzana Vargas entabulou, diante de um grande público, um papo com a consagrada escritora Conceição Evaristo. Conceição trafegou, biograficamente, desde sua infância pobre em Belo Horizonte até seu lugar de destaque na universidade carioca, e bibliograficamente, de sua estreia, em 1990, até seu mais recente volume, o poético Olhos d’água. No final, a escritora recitou o conto-título de seu livro, numa apoteose que provocou demorado aplauso da audiência.

Foi uma auspiciosa jornada de estreia a da Casa Libre e Nuvem de Livros 2015, confirmando a expectativa de debates ricos e produtores de vivas e duradouras inquietações.

Leia aqui o discurso da posse de Raquel Menezes, nova presidente da Libre

Prezados senhores, prezados libreiros:

Chego, após poucos anos como associada, mas uma intensa participação na diretoria da gestão passada, à Presidência de uma entidade que sempre admirei e prezei. Entendo que, apesar do tempo aparentemente breve da associação de minha editora à LIBRE, a confiança que foi posta em mim para exercer esta função representa a vontade de um expressivo grupo de associados, vontade a cuja altura lutarei, dia após dia, para estar. O que chamo de vontade? Vou tentar dizê-la em uma frase, para depois explicar melhor: o mercado editorial precisa ser mais equilibrado, ou, numa palavra veemente, mais justo.

O papel da LIBRE, ou melhor, a vocação da LIBRE, é representar, num mercado que reproduz os vícios de qualquer mercado, mas, também como qualquer mercado, possui uma dinâmica que abre algumas frestas, editoras independentes que, queiramos ou não, precisam competir com o mínimo de desigualdade com os grandes grupos empresarias e suas demandas marqueteiras. Queiramos ou não, outrossim, as editoras que representamos possuem quantidade considerável de um material que vai ao mundo, a partir da autonomia de nossas casas, com o precípuo objetivo de melhorar o mundo, investindo no livro e na leitura como veículos de transformação de pensamento e, consequentemente, transformação social. É mais ou menos assim que entendo uma ideia norteadora de nossos princípios: a bibliodiversidade. Em tempos de discussão ecológica de sustentabilidade, quando entendemos que o mundo, enquanto ser vivo, precisa da diferença; em tempos de discussão social de direitos civis, quando a intolerância não é mais suportada como fato dado nas relações humanas; em tempos de redefinição do papel das minorias e de novas configurações de informação e comunicação, precisamos, cada vez mais, da diferença, da diversidade no universo do livro e do mercado que o acolhe, precisamos, pois, da bibliodiversidade. Para lidar sem ingenuidade com o mercado, daremos continuidade às pesquisas já iniciadas nas gestões anteriores. E nada será possível se não profissionalizarmos a entidade, a fim de ampliar a nossa capacidade administrativa e organizacional, para que os associados possam acompanhar pelo menos anualmente nosso balanço. É muito importante montar um quadro de funcionários que se relacione com a entidade, independentemente da diretoria em vigência, entendendo nosso programa político, além de desenvolver uma melhor participação da entidade nas mídias, dando conta da nossa importância dentro do mundo editorial.

À LIBRE cabe cobrar, produzir condições de igualdade nas compras governamentais, por exemplo, provocando uma nova relação entre o governos, os governos, e os produtores do mais nobre produto cultural, o livro, rompendo os atalhos que fazem das grande editoras, por vezes, próximas demais aos gabinetes dos poderes.  O editor independente tem um papel, irrevogável, e cabe a nós discutirmo-lo com os mais variados setores da cultura. Represento inúmeras editoras, mas quem realmente nos interessa? O leitor, razão de ser final de todos os nossos esforços, que não são poucos, que não são fáceis. Levar livros de qualidade ao leitor é o que chamei acima de contribuir para a transformação do mundo, e gerir uma entidade como a nossa tem como pressuposto, saliento, respeitar a saudável divergência que há entre os associados, pois nossa democrática pluralidade não constitui aporias, pelo contrário, nos torna mais fortes e interessantes.

Nada desse objetivo seria possível não fossem as gestões anteriores. Haroldo Ceravolo, da Alameda, o presidente anterior, foi responsável por um crescimento exponencial da LIBRE, não apenas no que diz respeito à quantidade de editoras associadas, mas também no que toca à estrutura administrativa. A partir da sua gestão, a entidade passou a ter uma sede, Quartel-General imprescindível para nos dar base, e a diretoria está dividida em setores, o que facilita imensamente o trabalho de todos. Só conseguiremos trabalhar com a força que sei que temos porque há chão sob nossos pés, o que não seria possível sem o trabalho notável de Haroldo Ceravolo, que herdo com alegria e grande senso de responsabilidade.

A nova gestão da LIBRE pretende ser uma voz de cobrança e afirmação: cobrança de maior espaço para nossos associados, afirmação de nossos livros e nossos valores. Há um aspecto fundamental e urgente que, neste primeiro momento de trabalho, nos move: debater, no limite do entendimento e da intervenção, a Lei do Preço Fixo. Precisamos reforçar no Brasil um debate já amadurecido em outras partes do mundo, que diz respeito à movimentação das peças no jogo do mercado editorial e da cadeia do livro. Entendo que a participação da LIBRE é fundamental para que esse tabuleiro seja sustentável, e discutir com seriedade a Lei do Preço Fixo é um dos movimentos a serem feitos neste jogo. Para isso, e para mais que isso, nossa gestão, sobre o solo criado pela anterior, pretende incrementar a relação com diversas outras entidades ligadas ao livro, como a ANL (Associação Nacional de Livrarias), já que queremos livrarias, especialmente as pequenas, fortes, e também com o governo federal e outros governos, pois não é favor algum os nossos dirigentes, tanto no executivo como nos legislativos, respeitarem o livro e a bibliodiversidade, entendendo-a como não menos que política de Estado. 

Para que nossa missão seja empreendida de modo seguro, contamos com uma equipe notável. Em um momento decisivo para o crescimento e a profissionalização da Libre, é estratégico, além de entender a entidade historicamente, usar esse entendimento para a semeadura do futuro. Para isso, nada melhor do que o precioso auxílio de ex-presidentes, ex-vice-presidentes e tradicionais militantes, que compõem, por exemplo, o conselho fiscal da nossa gestão. 

E nossa gestão enfrentará um momento de crise. À crise perene do livro no Brasil, multifacetada crise, que passa pelo pouco incentivo à leitura, pelo histórico educacional que beira a indigência etc., junta-se uma crise recente, cujos desdobramentos ainda ignoramos, e que nos impõe ter de criar novas táticas para promover alianças e aumentar a capacidade econômica das editoras membros da LIBRE. É por isso que novos eventos são tão importantes, e ressalto o quanto me alegra tomar posse ritualmente na abertura da primeira Primavera que a LIBRE realiza em Belo Horizonte. É importante que empreendamos um processo, já iniciado, de internacionalização, a fim de nos tornarmos mais fortes e representativos. Além disso, pretendemos organizar cursos e seminários, tendo em vista a formação do editor e dos funcionários das editoras, em diferentes áreas de atuação. Queremos também que a LIBRE se aproxime cada vez mais da universidade, para que se torne ainda mais poderoso o espectro e a qualidade das nossas discussões, e também para que possamos ajudar as faculdades na formação de profissionais competentes e reflexivos.

Nossos eventos serão vários. A mais antiga Primavera, a do Rio, já tem uma histórica de caráter até afetivo, além de manter apoios, apesar de tudo. Nossa principal realização pública, que este ano completa Bodas de Cristal, gerou outras, como esta, em BH, e as de São Paulo e a de Salvador. Fizemos a Primaverinha, no Rio, em 2104 e 2015, e voltaremos, pelo segundo ano consecutivo, a Paraty, em parceria com a Nuvem de Livros.

Antes de concluir, gostaria de agradecer, especialmente, ao Haroldo Ceravolo, mais uma vez, e também à Cristina Warth, da Pallas, à Renata Farhat, da Peirópolis, ao Araken Ribeiro, da Contracapa, ao Angel Bojadsen, da Estação Liberdade e à Camila Perlingeiro, da Pinakotheke, pelo trabalho que permitiu chegarmos até aqui. Eu me referi, no começo, à vontade de um grupo expressivo de associados, que me incumbiu da nobre tarefa que, a partir de hoje, realizo oficialmente. Vontade será, de fato, uma das palavras-chave de minha, nossa, gestão: vontade de realizar, de aprimorar, de ajudar a LIBRE a ser, cada vez mais, uma forte representante da justiça editorial, da independência e da bibliodiversidade.

Raquel Menezes
Presidente

24/06/2015

Nova diretoria da Libre toma posse em Belo Horizonte

Na última quarta-feira, dia 24/06, a nova diretoria da LIBRE foi empossada, durante a cerimônia de abertura da Primavera da LIBRE, em Belo Horizonte. Na Academia Mineira de Letras, com a presença de diversas autoridades do estado de Minas e da prefeitura de Belo Horizonte, Haroldo Ceravolo transmitiu o cargo para Raquel Menezes, a nova presidente, no biênio 2015-2017.

Várias personalidades da cultura e da educação locais estiveram presentes, inclusive a Secretária de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo, e o Presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas José de Oliveira. Também foram à sede da AML a organizadora da Primavera da LIBRE em Belo Horizonte, Juliana Mont’Alverne, editora da Aletria, e Marcia Maria Quintão, representando o Ministro da Cultura Juca Ferreira.

Em seu discurso, Raquel Menezes salientou diversas prioridades de seu mandato, como a criação de novas alianças, a discussão da Lei do Preço Fixo e a necessidade de uma grande atenção à LIBRE e a suas editoras por parte dos governos em geral. Segundo a nova presidente, “o papel da LIBRE, ou melhor, a vocação da LIBRE, é representar, num mercado que reproduz os vícios de qualquer mercado, mas, também como qualquer mercado, possui uma dinâmica que abre algumas frestas, editoras independentes que, queiramos ou não, precisam competir com o mínimo de desigualdade com os grandes grupos empresarias e suas demandas marqueteiras.”

Leia aqui o discurso da posse de Raquel Menezes, nova presidente da Libre

Conheça aqui os autores que participam da Casa Libre e Nuvem de Livros na Flip


Afonso Martin é pai e entusiasta das humanidades. Turismólogo formado pela PUC-SP, passou pela Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo e é empreendedor do livro na terceira geração de sua família. Acredita no poder transformador dos livros como pilar da formação intelectual do ser humano. Atualmente está Diretor-Presidente da Associação Nacional de Livrarias.

Alberto Schprejer é editor e dirige a Ponteio Edições. Anteriormente fundou e dirigiu a Relume Dumará de 1989 a 2006.


Ana Paula Abreu
 é pós-graduada em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas e atuou em áreas diversas antes de começar a escrever histórias infantis. Sempre adorou escrever e até já tinha escrito algumas histórias, mas acabaram ficando esquecidas na gaveta. Sua primeira publicação foi O Mistério da Sopa da Vó Leninha (Ed. Viajante do Tempo, 2014).


Ana Paula Ribeiro
 é cientista social formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1999), com Mestrado em Ciências Sociais (UERJ, 2003) e Doutorado em Saúde Coletiva (IMS/UERJ, 2009).Tem experiência nas áreas de Antropologia e Metodologia da Pesquisa e atua nos seguintes temas: cinema, cidade, cultura afro-brasileira e políticas públicas.


Antônio Torres
 é autor de romances e contos que passeiam por cenários rurais, urbanos e da História. Condecorado como Chevalier des Arts et des Lettres pelo governo francês, em 1998, por seus livros traduzidos na França, em 2014 passou a ocupar a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é José de Alencar. 


Bruno Bimbi
 (37, argentino) é jornalista, mestre em letras e doutorando em estudos da linguagem (PUC-Rio). Ativista da Federação Argentina LGBT, atualmente mora no Rio de Janeiro, é correspondente do canal de notícias argentino TN, coordenador político e legislativo do mandato do deputado federal Jean Wyllys e integrante da executiva estadual do PSOL/RJ.


Carlos Alberto Dória
é doutor em sociologia pela Unicamp e pesquisador-colaborador do Departamento de Sociologia dessa instituição. Em 2006, ganhou o prêmio Best Food Literature Book in Brazil, concedido pelo Gourmand World Cookbook Award, pelo livro Estrelas no céu da boca: escritos sobre culinária e gastronomia, publicado pela Editora Senac São Paulo. Dedica-se a ensaios críticos nas áreas de cultura, publicados mensalmente pela revista eletrônica Trópico. 


Castilho
 é doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo, professor da Unesp e exerce, desde 1988, funções de direção editorial junto à Editora UNESP.


Chico Alencar 
está no mundo desde meados do século passado. Carioca, filho de piauiense e paulista, é pai de Emanuel, Ana, Lia e Nina, e avô de Tom. Exerceu mandatos parlamentares pelo PT e PSOL e atualmente é deputado federal.


Claudia Nina 
é jornalista, doutora em Letras pela Universidade de Utrecht, na Holanda, e autora de oito livros. Atualmente assina uma coluna de crônica na Revista Seleções (Reader´s Digest) chamada Papo de livro.


Claufe Rodrigues
 é poeta, jornalista, compositor e produtor cultural. Atualmente, trabalha como repórter e editor do programa GloboNews Literatura.


Clovis Levi
é autor de três livros publicados em Portugal: “O Beco do Pânico”, que recebeu o Selo de Recomendação do Plano Nacional de Leitura; “A cadeira que queria ser sofá”, vencedor do Prêmio Nacional de Ilustração (ilustradora Ana Biscaia); e a peça teatral “A fantástica aventura do devasso que virou santo” – sobre Santo Agostinho.


Conceição Evaristo
nasceu em Belo Horizonte, MG, em 1946, reside no Rio  de Janeiro, desde 1973. É doutora em Literatura Comparada pela UFF. Estreou na literatura em 1990, na série Cadernos Negros – antologia anual editada pelo grupo Quilombhoje, de São Paulo.


Dau Bastos 
nasceu em 1960, na cidade de Maceió. Entre seus livros encontram-se os romances Das trips, coração, Snif, Clandestinos na América, Reima e Mar Negro, a tese Céline e a ruína do Velho Mundo e a biografia intelectual Machado de Assis – num recanto, um mundo inteiro. É professor de Literatura Brasileira na UFRJ, onde mantém a oficina Contos do Fundão e edita a revista virtual Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea.


Guilherme Preger
, natural do Rio de Janeiro,  é escritor e engenheiro. Trabalha em Furnas Centrais Elétricas como engenheiro eletricista. É pai de Mateus, de 16 anos, e reside no bairro da Glória no Rio de Janeiro.

Joana Monteleone é doutora em História pela Universidade de São Paulo e editora da Alameda desde 2002.


Luis Maffei
é poeta e professor de Literatura Portuguesa da UFF. Pelo conjunto da obra, foi um dos contemplados com o prêmio Icatu de Artes – Literatura, em 2013. É Pesquisador Jovem Cientista do Nosso Estado (FAPERJ).


Madalena Vaz Pinto
é portuguesa e mora há muitos anos no Brasil. É professora da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, em S. Gonçalo, e diretora do Centro de Estudos do Real Gabinete Português de Leitura. Além das atividades que desenvolve na universidade, em torno sobretudo da literatura, moderna e contemporânea, tem interesse em filosofia, artes plásticas e temas da atualidade.


Marcelo Godoy
é jornalista e atualmente é o subeditor da seção Metrópole do jornal O Estado de S. Paulo. Passou pelos jornais Folha da Tarde e Folha de S. Paulo, sempre atuando como repórter das editorias de cidades.  É o autor de A Casa da Vovó, uma biografia do DOI-Codi (1969-1991), o centro de sequestro, tortura e morte da ditadura militar.


Marcelo Reis de Mello
é poeta, tradutor e um dos editores da Cozinha Experimental. É mestre em Literatura Brasileira pela UFF e doutorando em Literatura Comparada na mesma instituição. Trabalha atualmente como professor de língua portuguesa e literatura brasileira no Colégio de Aplicação da UFRJ.


Maria Alice Rezende Gonçalves
é doutora em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro Brasileiras e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, políticas públicas, ensino superior, cidadania e cultura afro-brasileira.


Maria Rita Kehl
é psicanalista, doutora em Psicanálise pela PUC-SP, também é ensaísta e jornalista. É autora de vários livros e em 2013 recebeu o prêmio do “Movimento Humanos Direitos” (MHuD), no Rio de Janeiro, por seu capítulo sobre camponeses e indígenas no relatório da Comissão da Nacional da Verdade.


Nathalia Alvitos
, de 31 anos, é formada em jornalismo pela PUC-Rio e se especializou em Segurança Pública com cursos em Israel e Rio de Janeiro. Trabalhou na Rede Globo, Rede Bandeirantes e Rede Record, nesta última atuou como repórter policial.


Orlando Zaccone
é delegado, formado em jornalismo e direito,  e também um dos membros-fundadores da seção brasileira da LEAP (Law Enforcement Against Phroibition, ONG americana formada por agentes da lei contra o proibicionismo). 


Raquel Menezes
, editora da Oficina Raquel, foi eleita presidente da LIBRE para o biênio 2015-2017. Desde 2013 integra a diretoria da entidade.  É formada em Letras pela UFRJ, onde atualmente cursa o Doutorado em Literatura Portuguesa. É também editora da Pequena Morte (www.pequenamorte.net), revista de literatura e cultura, fundada em 2005.


Roberto Bahiense é formado em dministração de Marketing pela Fundação João Pinheiro e pela Graduate School of Business Columbia University e em Sociologia do Cinema na Ecole Practique dês Hautes Études, Sorbonne, Paris. Possui especialização na AC&R Advertising Inc. N. Y.; Diener/Hauser/Bates Co. Inc. N. Y. e Dancer, Fitzgerald & Sample, N. Y. Dirigiu importantes agências de publicidade e jornais brasileiros. É CEO da Nuvem de Livros.

Senadora Fátima Bezerra é professora e pedagoga. Iniciou sua trajetória política quando era estudante na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Filiada ao PT desde 1981, é senadora pelo Rio Grande do Norte. Em 2015 assumiu a vice-presidência da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado.


Suzana Vargas
é poeta, autora de literatura infantil e juvenil, ensaísta, professora de literatura, Mestre em Teoria Literária  pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Há mais de 20 anos, faz a curadoria de importantes projetos  literários para feiras e eventos nacionais e internacionais.


Vanessa Rosa
é uma artista carioca nascida em 1990, graduada em 2012 em História da Arte na UERJ. Como uma pessoa apaixonada tanto por desenhar quanto pela teoria, Vanessa cria projetos que misturam interpretações históricas ou filosóficas com desenhos e pinturas de pessoas comuns. Atualmente, continua com projetos de arte em espaços públicos, além de trabalhar como ilustradora e artista visual em diversos projetos


Zé Luiz Rinaldi
é poeta, compositor e diretor. Doutor em Filosofia pela UFRJ, Rinaldi pesquisa múltiplas interações entre a música, a palavra e a cena, orientado pela investigação poética da arte e do homem.

Casa Libre e Nuvem de Livros em Paraty; veja a programação

Criando uma tradição de vivos encontros, a Casa Libre e Nuvem de Livros chega à sua segunda edição em 2015. Este espaço acolhedor pretende, sob os valores da LIBRE e da Nuvem, que incluem a independência de pensamento e o acesso à bibliodiversidade, criar prazerosas tensões. O tema da intolerância norteará debates que vão da sociologia à ficção, da filosofia à política, e à política do livro, da religião à poesia, empreendidos por nossos convidados, agentes detentores de conhecimento relevantes para as discussões propostas.

Confira a programação:

02/07 – Quinta-Feira
13h: Ser criança neste mundo
Clovis Levi
Rosana Mont’Alverne
Mediação: Juliana Flores

15h: O espaço negro na conjuntura urbana
Maria Alice Resende
Ana Paula Alves Ribeiro
Mediação: Vanessa Rosa

17h: Poesia e produção de pensamento
Zé Luis Rinaldi
Luis Maffei
Mediação: Marcelo Reis de Mello

19h: Marcas da origem no presente Literário: Literatura e consciência negra
Bate-papo com Conceição Evaristo
Interlocução: Suzana Vargas

03/07 – Sexta-Feira
11h: Comida, artes, sustentabilidade
Atividade com Ana Paula de Abreu

13h: Antropofood
Bate-papo com Carlos Dória
Interlocução: Roberto Bahiense

15h: Ditaduras: Da exceção à opressão
Marcelo Godoy
Bruno Bimbi
Orlando Zaconne
Mediação: Joana Monteleone

17h: Um País a ler: Debate sobre o Plano Nacional do Livro e da Leitura
José Castilho (Secretário do PNLL)
Afonso Martin (Presidente da ANL)
Fátima Bezerra (Senadora)
Raquel Menezes (Presidente da Libre)

19h: A fabulação do mundo na criação de margens
Bate-papo com Antônio Torres
Interlocução: Claudia Nina

04/07 – Sábado
13h: Versos e prosas da crise
Nathalia Alvitos
Guilherme Preger
Mediação: Claufe Rodrigues

15h: Mobilizações de rua e o sentido da prática política no Brasil
Bate-papo com Chico Alencar
Interlocução: Alberto Schprejer

17h: Apresentação Nuvem de Livros

19h: Diferença e contemporaneidade
Bate-papo com Maria Rita Kehl
Interlocução: Madalena Vaz-Pinto

Conheça aqui os autores que participam da Casa Libre e Nuvem de Livros na Flip

Encontro discute Lei do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca em SP

No sábado dia 13/06 São Paulo discute a Lei do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca, na Biblioteca Mário de Andrade, das 10h às 16h.
Será discutido o texto preparado pelo Grupo de Trabalho que organiza a discussão há mais de um ano, em diversos fóruns. Leia o texto abaixo:

PROJETO DE LEI
Institui o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB) do Município de São Paulo, com o fim de assegurar a todos o acesso ao livro, à leitura e à literatura.

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º Por curto prazo entende-se o período de seis meses a um ano; por médio prazo, entende-se o período de um ano a quatro anos; por longo prazo, entende-se o período de cinco a dez anos.

Art. 2º A implementação do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB) do Município de São Paulo será orientada por documento anexo elaborado pelo Grupo de Trabalho (GT) do PMLLLB com base em um processo participativo, democrático e popular.

DO PLANO MUNICIPAL
Art. 3º Fica instituído o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB) do Município de São Paulo, com o fim de assegurar a todos o acesso ao livro, à leitura e à literatura.

PARÁGRAFO ÚNICO – A responsabilidade pela execução do PMLLLB é da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria Municipal de Cultura, sem prejuízo da participação de outras secretarias e órgãos municipais.
DOS PRINCÍPIOS

Art. 4º O PMLLLB de São Paulo tem como princípios fundamentais:
I – a democratização do acesso ao livro, à leitura, à literatura e à informação como um direito do cidadão;
II – a formação de leitores e mediadores no Município;
III – a valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico;
IV – o desenvolvimento sustentável da economia do livro e o estímulo à capilarização da indústria e do mercado editorial na cidade;
V – o reconhecimento à literatura como direito humano, a compreensão de sua natureza formativa e o incentivo à imaginação, à criação e à educação literária;
VI – a garantia da acessibilidade ao livro, à leitura, à literatura e aos espaços a eles dedicados, em todas as suas acepções: atitudinal, arquitetônica, comunicacional, instrumental, metodológica e programática;
VII – a consideração da pessoa com deficiência em todas as atividades desenvolvidas;
VIII – o estímulo à produção literária;
IX – a preservação do patrimônio literário, bibliográfico e documental do Município;
X – o estímulo à bibliodiversidade, em todas as suas formas;
XI – o reconhecimento às tradições escritas e orais;
XII – a leitura e a escrita como meios fundamentais de produção, reflexão e difusão da cultura, da informação e do conhecimento;
XIII – a integração entre as diferentes secretarias da Prefeitura e outros órgãos para a implementação do PMLLLB;

DOS OBJETIVOS
Art. 5º São objetivos do PMLLLB:
I – Estabelecer políticas públicas claras para o livro, a leitura, a literatura e as bibliotecas e garantir recursos para sua implementação;
II – Assegurar o acesso aos livros e a inclusão de todos;
III – Promover a integração entre escolas, bibliotecas e outros espaços dedicados ao livro, à leitura e à literatura;
IV – Desenvolver e apoiar a criação, o conhecimento e a reflexão sobre a literatura;
V- Debater e promover a bibliodiversidade;
VI- Estimular a formação de mediadores;
VII – Apoiar o desenvolvimento da economia sustentável do livro, da escrita à edição e circulação;
VIII – Tornar São Paulo uma cidade leitora e de produção literária relevante, com políticas concretas e equipamentos condizentes e presentes em todas as regiões;
IX – Promover e fomentar a literatura não-hegemônica e a literatura marginal periférica;

DAS METAS
Art. 6º São metas prioritárias, de curto prazo, do PMLLLB :
I- Considerar a pessoa com deficiência em todas as atividades
desenvolvidas, sejam lúdicas ou culturais, como brincadeiras, ações literárias, cinema,
teatro, saraus e contações de histórias, incluindo a capacitação para receber a pessoa com deficiência, e exercer a mediação, também por meio de recursos de audiodescrição, legendagem e LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais;
II- Assegurar a acessibilidade em todas as suas acepções: atitudinal, arquitetônica, comunicacional, instrumental, metodológica e programática;
III- Contemplar, para assegurar a acessibilidade, o acervo regular em papel – por escaneamento acessível, com voz em português-, a forma digital, com
possibilidade de audição de texto, e, tanto para o livro em papel quanto para o digital, a ampliação de textos para aqueles com baixa visão e o uso do teclado "Linha Braile", que torna possível a leitura pelos dedos;
IV- Ampliar a rede de bibliotecas públicas, incluindo as bibliotecas móveis;
V- Garantir que as bibliotecas possuam acervos multilíngues para permitir o atendimento a pessoas de diferentes origens, incluindo a crescente população de estrangeiros na cidade;
VI- Promover aproximação do livro e da literatura com outras linguagens (audiovisual, música, teatro, artes plásticas etc.) para envolver os leitores e dessacralizar as bibliotecas, os espaços de leitura e os livros;
VII- Garantir que mais espaços disponibilizem obras literárias, incluindo terminais de ônibus e estações de metrô, entre outros;
VIII- Envolver todos os espaços públicos em ações de difusão do livro, da leitura e da literatura e criar ou fortalecer espaços alternativos e iniciativas que permitam a oferta de livros e ações de estímulo à leitura, tais como saraus, sessões de contação de histórias, clubes e rodas de leitura etc.;
IX- Garantir recursos para a atualização permanente dos acervos de bibliotecas de acesso público, considerar as demandas dos usuários e assegurar que contemplem obras de escritores da comunidade e da literatura marginal periférica e obras que retratam a ancestralidade;
X- Garantir apoio para bibliotecas comunitárias via convênio e programas de incentivos;
XI- Assegurar transparência na seleção de livros e agilizar os processos de aquisição;
XII- Favorecer a difusão de livros digitais gratuitos ou em domínio público;
XIII- Planejar ações conjuntas de incentivo à leitura e à literatura que integrem espaços culturais e educacionais, públicos, privados e comunitários e que possam envolver diversas linguagens artísticas, projetos socioeducativos e ações em saúde e em educação ambiental, entre outras;
XIV- Definir critérios ou programas relacionados ao livro e à leitura, por meio de uma comissão formada em sua maioria pela sociedade civil, para articular as ações das diversas Secretarias da Prefeitura e da sociedade no esforço de democratizar o acesso ao livro e de elevar os índices de leitura dos paulistanos;
XV- Organizar programas de formação que garantam as especificidades de cada profissional, do público em que atua e da comunidade onde está inserido – nesse sentido, é fundamental a inclusão de trabalho com pessoas com deficiências visuais, auditivas, físicas, intelectuais e múltiplas;
XVI- Promover espaços de trocas metodológicas de mediação de leitura para a constituição de uma rede de formação de mediadores que represente a variedade de matizes da mediação;
XVII- Estabelecer programas de formação e de ações de jovens mediadores de leitura;
XVIII- Gerar programas que aproximem os criadores literários dos mediadores de leitura;
XIX- Fomentar a divulgação de informações de serviços prestados e projetos realizados por organizações que atuam nas áreas de livro, leitura e literatura não ligadas formalmente ao setor público;
XX- Fortalecer e ampliar estágios sócio-educativos, voltados a adolescentes, nas bibliotecas e em outros espaços;
XXI- Promover a apropriação de espaços públicos para a realização de trocas de livros, mediante a criação de políticas públicas;
XXII- Promover o contato com a mediação de leitura e estratégia de aproximação dos espaços para o incentivo à leitura, incluindo hospitais, unidades básicas de saúde (UBS), presídios, creches, escolas, bares, praças etc.;
XXIII- Estimular e apoiar ações de contação de histórias e saraus;
XXIV- Garantir que programas de incentivos municipais que envolvam livro e leitura contemplem acessibilidade;
XXV- Garantir que as bibliotecas possam acolher pessoas de diferentes origens, como a população de estrangeiros na cidade;
XXVI- Criar projetos e subsidiar centros de pesquisa que estudem e incentivem a bibliodiversidade;
XXVII- Promover ações públicas de leitura e literatura em espaços públicos, incluindo ruas e praças da cidade, e criar campanhas publicitárias de incentivo à leitura;
XXVIII- Articular programas das Secretarias de Educação e de Cultura relacionados ao livro e à leitura, otimizando os recursos públicos e ampliando o alcance e o impacto desses programas compartilhados;
XXIX- Articular e estabelecer, como parte do calendário cultural e turístico da cidade, feiras regionalizadas de livros em parceria com a comunidade;
XXX- Incentivar e facilitar a criação e a manutenção de grupos que promovam e discutam o livro, a leitura e a literatura;
XXXI- Apoiar festivais de cultura que tenham entre suas atividades ações literárias;
XXXII- Promover projetos públicos e educativos de formação de leitores além dos muros da escola e fomentar grupos culturais que desempenhem atividades afins;
XXXIII- Disponibilizar informações para reconhecimento dos diferentes gêneros textuais pela população, por meio das mídias acessíveis a ela, como as redes sociais e a programação dos circuitos internos dos transportes públicos;
XXXIV- Promover pesquisas para o diagnóstico das ações de leitura e literatura que ocorrem na cidade;
XXXV- Garantir a continuidade de programas existentes e criar editais e leis de fomento específicos às ações com livro e leitura no âmbito do Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais, Pro-Mac;
XXXVI- Criar fóruns de discussão para a revisão de portarias que viabilizem projetos relacionados ao incentivo de livros e leitura;
XXXVII – Apoiar as empresas de pequeno e médio porte da cadeia produtiva, estimulando a bibliodiversidade por meio de projetos editoriais independentes
XXXVIII – Criar oportunidades para que os livros das editoras pequenas e médias e de autores independentes concorram à aquisição de acervo de escolas e bibliotecas públicas por meio de políticas de estímulo à bibliodiversidade;
XXXIX- Garantir a participação de autores e editoras independentes nos programas de incentivo à publicação;
XL- Garantir o acesso da população a livrarias e sua proximidade ao local de moradia, inclusive por meio de estímulos fiscais a livrarias de rua, e fomentar a abertura de livrarias em espaços públicos;
XLI- Envolver a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano no esforço de promover a cadeia do livro e incentivar a instalação regionalizada de empresas relacionadas ao livro, de modo a promover o desenvolvimento mais equilibrado e descentralizado da cidade, em diálogo com o Plano Diretor;
XLII- Adotar políticas que ampliem e favoreçam a formalização do mercado de trabalho nas editoras e livrarias da cidade;
XLIII- Estimular e apoiar iniciativas de formação de novos autores, ilustradores e profissionais técnicos do livro, de nível médio e superior, e de colocação no mercado de trabalho, no âmbito da produção editorial e da produção gráfica;
XLIV- Apoiar centros de pesquisa e de cultura que trabalhem as questões da bibliodiversidade e da literatura e sustentar o desenvolvimento de dados e informações que ampliem o conhecimento dos acervos de livros, públicos e privados, de instituições, empresas, livrarias e indivíduos presentes na cidade de São Paulo, a fim de permitir a criação de programas de incentivo ao setor com dados mais firmes e confiáveis;
XLV- Garantir que a bibliodiversidade seja exigência nos critérios de aquisição de acervo de editais de fomento à leitura e à literatura;
XLVI- Criar condições econômicas para que todos os livros sejam acessíveis, tais como ebooks, audiolivros e em braile, provendo meios para que a indústria livreira seja estimulada a produzir livros em formato acessível desde o seu nascedouro, e regulamentar em nível municipal o que se refere à acessibilidade na Lei 10.753, que institui a Política Nacional do Livro;
XLVII- Incentivar estudos e pesquisas sobre literatura e fortalecer as políticas públicas de apoio a centros de pesquisa que lidam com a literatura em suas atividades, criando programas específicos para incrementar as pesquisas e as ações literárias;
XLVIII- Manter consulta permanente às diferentes comunidades que compõem São Paulo, incluindo indígenas, imigrantes e descendentes, refugiados, estrangeiros e populações vindas de outras partes do país, para a realização de ações literárias e para a formação de acervos;
XLIX- Promover ações de literatura que assegurem diversidade de temas, idiomas, editoras, localidades e autores de modo a promover a bibliodiversidade;
L- Assegurar a tradução de obras literárias por meio de apoio direto, incentivo fiscal, parcerias e outras formas de estímulo e promover acervos com obras literárias em diferentes línguas nas bibliotecas, centros culturais, escolas, centros de pesquisa, universidades etc.;
LI- Promover a diversidade cultural e assegurá-la na composição de acervos, nas publicações e nas ações em geral nas escolas, bibliotecas, centros culturais e de pesquisa, universidades e outros espaços de leitura;
LII- Organizar e fortalecer festivais, concursos, feiras e outros eventos de literatura, como um estímulo à qualidade literária e a experiências inovadoras;
LIII- Realizar ações que resgatem, registrem e promovam a oralidade, como a declamação de poesia, a contação de histórias e a formação de acervos audiovisuais e assegurar projetos e outras iniciativas no campo da oralidade;
LIV- Garantir linguagens de expressão distintas para o estudo da literatura, incluindo audiovisual, música, teatro, declamações, leituras etc.;
LV- Ampliar os programas de incentivo voltados a projetos literários;
LVI- Estimular a formação de círculos literários e clubes de leitura em bibliotecas, centros de cultura e pesquisa e outros espaços a fim de discutir e compartilhar análises e impressões sobre a leitura de obras literárias;
LVII- Incentivar e apoiar os saraus e as ações de contação de histórias para que se multipliquem nas periferias da cidade e nas áreas centrais, ampliando-os para diferentes setores, como forma de resistência, participação e reflexão em prol da leitura;
LVIII- Estimular a criação, a crítica e a teoria literária por meio de apoio a grupos de pesquisa, cursos, periódicos literários e publicação de livros sobre o tema;
LIX- Assegurar a ocupação de espaços distintos com literatura e promover as ações em horários que atendam a todos os públicos;
LX- Estabelecer estratégias de informação sistematizada sobre as ações e eventos relacionados à literatura, ao livro e à leitura;
LXI- Estabelecer uma rede interativa de ações de leitura e literatura que atue de forma colaborativa entre a sociedade civil e secretarias e órgãos da Prefeitura de São Paulo.

Art. 7º A fim de acompanhar a gestão do PMLLLB e de promover a análise, a supervisão, o acompanhamento e a avaliação de sua implementação, estabelece-se que:
I – A Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Municipal de Cultura devem apresentar à sociedade um relatório semestral sobre a implementação do PMLLLB, que inclua um balanço de cumprimento de metas do PMLLLB, e promover consulta pública e debate sobre o tema;
II – A Prefeitura, em parceria com a sociedade civil, deve promover, pelo menos uma vez por ano, um Encontro Municipal sobre o desenvolvimento do PMLLLB;
III – A Prefeitura deve criar um Fundo Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca com recursos adequados à implementação do PMLLLB e ao cumprimento de suas metas.

Art. 8º O acompanhamento do Plano será feito por membros de um Conselho Municipal, formado por representantes da Secretaria Municipal de Educação, da Secretaria Municipal de Cultura, da Câmara Municipal, escritores, editores, professores, bibliotecários, representantes da sociedade civil, representantes de acessibilidade, saraus, centros de pesquisa e universidades, garantindo a participação de dois membros do GT do PMLLLB. Entre suas competências, estão:
I- Opinar sobre a formulação do Orçamento das Secretarias Municipais e acompanhar sua execução;
II- Opinar e fiscalizar a utilização de recursos para a implementação do PMLLLB;
III- Promover discussões, articular demandas regionais e setoriais e buscar devolutivas àquelas instâncias;

Art. 9º A Prefeitura de São Paulo assegurará recursos e investimentos para programas, projetos, ações e outras iniciativas previstas no PMLLLB; com esse desiderato, destinará uma dotação orçamentária específica para a implementação do PMLLLB, suplementada se necessário por meio do Fundo Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca, a ser criado pela Prefeitura.

Art. 10º Constituirão recursos do Fundo Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca;
I – dotações orçamentárias a ele destinadas;
II – créditos adicionais suplementares a ele destinados;
III – doações de pessoas físicas e jurídicas;
IV – doações de entidades nacionais e internacionais;
V – recursos oriundos de acordos, contratos, consórcios e convênios;
VI – outras receitas eventuais.

Art. 11º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Prefeitura da Cidade de São Paulo, de de 2015.

Primaverinha dos Livros aposta nas artes para estimular a leitura

Feira de literatura infantil e juvenil terá três mil títulos com descontos de até 50%, lançamentos de livros, oficinas de arte, teatro, joga fora da chupeta e muita diversão

A segunda edição da Primaverinha dos Livros, feira de literatura para os públicos infantil e juvenil acontece nos dias 6 (sábado) e 7 (domingo) de junho, das 10h às 17h, no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico. O evento, produzido pela Liga Brasileira de Editoras (Libre), reunirá 50 editoras e cerca de três mil títulos, que terão descontos de até 50%. Este ano, a Primaverinha tem como foco o estímulo à leitura através das artes. Na programação terá lançamento de livros, mas também teatro, desenho, pintura e música, tudo para despertar o interesse dos pequenos para os livros e suas histórias. 

Um dos destaques da Primaverinha é a menina Ághata Cris, de apenas 10 anos, que lança no sábado (6/6), às 10h, seu primeiro livro, O mistério das árvores da rua Roberto, pela editora Outras Letras. Ághata, que é moradora do Morro do Chapéu Mangueira, conta a história de uma rua onde quase todas as árvores tinham sumido porque elas não eram nativas e resolveram voltar para as suas casas.

Outro lançamento que dará o que falar é Bee tubarão, escrito por Bia Hetzel com ilustrações de Mariana Massarani, da editora Manati, no sábado (6/6), às 11h30. Durante o lançamento, os pequenos poderão dizer tchau às suas chupetas. Inspirado no livro Balde de Chupetas, das mesmas autoras, um grande balde estará no local para as crianças depositarem as chupetas.

Confira aqui a programação completa do evento.

“A Primeira edição da Primaverinha, em 2014, foi um sucesso. O evento já faz parte do calendário infantil e juvenil do Rio. Os pais e as crianças estão buscando literatura de qualidade e este é um dos compromissos das 130 editoras associadas à Libre, assim como ajudar a formar leitores críticos. O conceito diferenciado de feira literária da Primaverinha dos Livros foi percebido pelo público”, analisa Camila Perlingeiro, diretora da Libre.

A feira literária terá também teatro para as crianças, são espetáculos montados a partir de livros.  João, o menino mais rico do mundo, de Francisco Abreu e André Coelho, será apresentado no domingo (7/6), às 11h30. Aventuras do menino iogue, de Antonio Tigre e Gustavo Peres será lançado com encenações no sábado (6/6) e domingo (7/6), às 15h30.

No segmento de desenho e pintura a oficina Pinte, desenhe e crie gravuras como os grandes artistas, domingo (7/6), às 11h, terá uma atividade que as crianças gostam muito e que agora está contagiando os adultos, pintar livros.  A oficina tem inspiração no best-seller Vamos fazer um monte de arte, de Marion Deuchars, no Brasil editado pela Pinakotheke. Terá ainda a Oficina de quadrinhos, onde crianças e pré-adolescentes poderão cria o seu próprio gibi. 

Na Primaverinha não vai faltar também contação de histórias, outra atividade que o público infantil gosta muito. No sábado (6/6), às 11h30, Vanessa Rosa, ilustradora e artista urbana, contará a história do livro Brás, o pequeno viajante, da editora Viajante do Tempo, enquanto pinta um quadro com a ajuda das crianças. No domingo, às 10h, Julia Grillo e Nicia Grillo contam a história do livro O guerreiro invisível e outros contos do tempo, da Jaguatirica. Às 11h, Simone Magno conta O menino que não gostava de tomar banho, da editora Oficina Raquel.

A feira literária terá ainda programação para os adultos, serão três bate-papos baseados em livros. No sábado (6/6) tem Downtown, com especialistas do movimento de inclusão de crianças portadoras de síndrome de down, às 10h30; Por que ler para o seu filho, com Marcelo Moutinho, Henrique Rodrigues e Sonia Rosa, às 14h; e a nutricionista Patricia Smith oferece uma oficina que ensina às mamães como fazer papinhas nutritivas para seus bebês, baseado no seu livro As aventuras gastronômicas de uma mãe de primeira viagem, às 15h30.

A Primaverinha dos Livros tem entrada gratuita. É só chegar!

Libre
A Liga Brasileira de Editoras realiza desde 2001 a Primavera da Libre no Rio de Janeiro e em São Paulo, e este ano chega a Belo Horizonte e Salvador. O sucesso da feira literária estimulou a Libre a realizar uma versão dedicada aos públicos infantil e juvenil, a Primaverinha dos Livros. Um espaço para as editoras associadas à Libre mostrarem seus títulos ao público e ao mercado.

Serviço
Primaverinha dos Livros
Feira de livros, lançamentos, teatro, desenho e pintura, música, contação de histórias, oficinas e bate-papos para os adultos
50 editoras, 3 mil títulos à venda, descontos de até 50%
Sábado (6/6) e domingo (7/6) de 2015
10h às 17h
Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico  (Rua Jardim Botânico, 1008 – Rio de Janeiro)
Entrada gratuita

Festival Literário Internacional de BH traz a Primavera da Libre para a capital mineira

Organizada pela Liga Brasileira de Editoras, evento trará feira de livros, lançamento, narrações de histórias, palestras e outras atrações para o Festival Literário Internacional de Belo Horizonte

A Liga Brasileira de Editoras (Libre), em parceria com a Fundação Municipal de Cultura e com a Associação de Amigos do Centro de Cultura de Belo Horizonte, realiza na capital mineira a primeira edição da Primavera da Libre, tradicional evento que reúne editoras de todo o país e que acontece há mais de uma década no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na edição mineira, a Primavera integra a programação do FLI-BH.

"Ter a Primavera da Libre no 1º Festival Literário Internacional de Belo Horizonte em muito enriquece o evento, não apenas porque a feira oportuniza ao público a aquisição de livros a um preço acessível, mas também porque os seminários, palestras e oficinas das quais participarão autores da Libre adicionam  à nossa programação conteúdo diverso e de excelente qualidade.", explica Leônidas Oliveira, presidente da Fundação Municipal de Cultura de BH.

A Primavera chega a BH no âmbito do primeiro Festival Literário Internacional FLI-BH, com uma feira literária composta por 54 editores, que venderão diversos livros com até 50% de desconto. Além da comercialização de livros, a Primavera promove também lançamentos, debates, palestras, narrações de histórias e oficinas para crianças, adultos, professores, bibliotecários e mediadores de leitura. Uma intensa programação que ocorrerá entre os dias 25 a 28 de junho e que mostra a diversidade do trabalho da Libre.

“A realização da Primavera da Libre em Belo Horizonte é mais um passo importante que a instituição dá em favor da qualidade editorial. Pretendemos marcar cada vez mais presença em Minas Gerais. Com uma cultura que remete às raízes brasileiras, o estado tem muito a contribuir para o avanço da bibliodiversidade, conceito que promove a pluralidade na literatura e é uma das principais bandeiras das editoras independentes. Não por acaso a nova diretoria da Libre, eleita para o período 2015/2017, escolheu a Primavera da Libre de Belo Horizonte para realizar a cerimônia de posse”, explica Raquel Menezes, presidente da Liga Brasileira de Editoras.

Como destaque, a programação traz uma aula-show com Ilan Brenman, escritor e especialista em literatura infantil e juvenil, ganhador de diversos prêmios e traduzido em vários países. Em sua apresentação, ele abordará o politicamente correto na literatura destinada para crianças e jovens.

A Libre promoverá também mesas de debates como a “Vidas escritas”, com Regina Echeverria e Nádia Gotlib, que discutirão o tema das biografias, e a mesa “Corpo, sexualidade e gênero na literatura”, que contará com a presença de Flavio Sanctum e Lorena Miyuiki, autores publicados pela editora Metanoia, a única do país dedicada à literatura LGBT.

Haverá também uma mesa sobre literatura afro-brasileira com autores da Pallas e Mazza edições, as duas principais editoras do Brasil especializadas em literatura afro-brasileira.

Primavera da LIBRE
A Primavera da LIBRE é a maior feira literária independente do Brasil e também está entre as mais expressivas do gênero no mundo. Promovida pela Liga Brasileira de Editoras (Libre), a Primavera nasceu em 2001, no Rio de Janeiro, com o compromisso de ser, além de uma feira comercial,  um espaço cultural onde os pequenos e médios editores nacionais pudessem apresentar suas produções, interagir com o público e discutir o livro. A diversidade dá o tom da feira e da programação literária a partir dos muitos gêneros editados por cerca de 56 editoras. Ao todo, são 8 mil títulos, com descontos que chegam a 50%.

Com essa trajetória já consolidada, era fundamental que a Primavera da Libre entrasse no calendário dos eventos literários da capital mineira, cidade tradicionalmente leitora. (A população belo-horizontina é a que mais lê livros no país, segundo pesquisa. É também a cidade que tem o maior número de livrarias por habitante, segundo a ANL. ). "E nada melhor do que fazer a primeira edição associada à FLI-BH, um evento de grande porte, que conta com o apoio do poder público, com programação de qualidade e que certamente terá grande visibilidade.", explica Juliana Mont’Alverne Flores, Diretora de Eventos da LIBRE.

Liga Brasileira de Editoras
A Liga Brasileira de Editoras (LIBRE) é uma rede de editoras que trabalham cooperativamente, preservando a bibliodiversidade no mercado editorial brasileiro e buscando o fortalecimento do setor.  Criada há 14 anos, um ano após pequenos editores se reunirem pra realizar a primeira Primavera no Rio de Janeiro, a rede busca a ampliação do público leitor, o fortalecimento das empresas editoriais independentes, e a criação de políticas públicas em favor do livro e da leitura. Atualmente, são 56 editoras filiadas, 16 mil títulos em catálogo, 100 novos lançamentos a cada mês e mais de 2 milhões  de exemplares impressos por ano.

O FLI-BH
O Festival Literário Internacional de Belo Horizonte – FLI-BH nasce da convergência de políticas públicas de acesso ao livro, à leitura e à literatura que a Prefeitura, através, da Fundação Municipal de Cultura, desenvolve. Atualmente, são 20 bibliotecas espalhadas pela cidade, que contam com um acervo em permanente formação.  Por ano, são cerca de 160 mil pessoas atendidas, 40 mil empréstimos de livros e 800 atividades de incentivo à leitura realizadas.

A Fundação também promove dois dos maiores concursos literários nacionais: o João-de-Barro, dedicado à literatura infantil e juvenil; e o prêmio Cidade de Belo Horizonte – que está com as inscrições abertas até o dia 18 de maio e premiará com 50 mil reais as melhores obras nas categorias conto e poesia. A FMC vem discutindo com a sociedade civil o Plano Municipal de Leitura, Livro, Literatura e Bibliotecas, que consolidará a política pública para o setor.

Além de ser a culminância das ações destinadas ao acesso ao livro e a promoção da leitura na capital mineira, um festival inteiramente dedicado à literatura era demanda antiga de escritores, ilustradores, editores, livreiros e leitores da cidade, que queriam um evento grande para a literatura, nos mesmos moldes dos festivais já realizados pela Fundação – como o Festival Internacional de Teatro, o Festival Internacional de Quadrinhos e o Festival de Arte Negra.

O Festival acontecerá entre os dias 25 e 28 de junho, no Parque Municipal de Belo Horizonte.

Site oferece sistema gratuito para cotação de impressão de livros em diferentes gráficas simultaneamente

O Cota Livro agiliza o trabalho de pequenas editoras e reúne banco de gráficas especializadas no segmento editorial 

No mercado editorial, a impressão é, sem dúvidas, uma das etapas mais caras na produção de um livro. O ideal é pesquisar bem e solicitar orçamentos em diferentes gráficas para comparar os preços e escolher a melhor opção. Para facilitar a vida de designers, produtores gráficos e pequenas editoras, foi criado o Cota Livro (www.cotalivro.com.br), site que oferece sistema gratuito para envio simultâneo de solicitações de orçamento para diversas gráficas.

Para usar, basta acessar o site e preencher o formulário com as características do projeto gráfico. Ao concluir, a solicitação de orçamento será enviada para todas as gráficas cadastradas no site. O usuário pode sugerir a inclusão de novas gráficas, além de elencar as suas empresas preferidas, que farão parte de um ranking das gráficas mais indicadas.

As gráficas interessadas em receber orçamentos do Cota Livro também podem se associar gratuitamente por um período experimental, desde que sejam especializadas no segmento editorial. Atualmente o site conta com 25 gráficas cadastradas, presentes em diversas regiões do Brasil e do exterior, como, por exemplo, a Toppan.

Além de encontrar os melhores preços com mais rapidez e eficácia, outra vantagem que o sistema oferece é evitar erros e esquecimentos nos pedidos de cotação, já que o formulário contém as principais especificações para projetos gráficos de livros. Em apenas um mês de funcionamento, o Cota Livro já registrou 100 acessos de usuários.

O site foi desenvolvido pela editora carioca Jaguatirica, que viu a oportunidade surgir a partir de uma demanda da própria editora. "O sistema foi pensado para ajudar profissionais da área que precisam fazer o trabalho repetitivo de pedir vários orçamentos, e nem sempre sabiam onde encontrar as melhores gráficas para seus projetos. Nossa ideia é partir de uma dificuldade real do mercado e pensar coletivamente em uma solução", afirma Marcel Lopes, gerente de tecnologia da Jaguatirica. 

Livro Falante lança o audiolivro Palavrarmas, do escritor Ferréz

Com a missão de trazer a literatura para mais próximo da periferia, o escritor Ferréz mais uma vez aposta na palavra como ferramenta. E, para seu primeiro audiolivro, convidou um time de peso para recitar seus textos e poesias, como Zeca Baleiro, que lê a inédita Vendo verdades, e o poeta de Brasília Gog, que recita O menino Periferia, com Refrão de Higo Melo. Já o novo romance do autor, Deus foi almoçar, vem na voz do poeta Allan da Rosa, e outros textos, como A maldição da refinaria, A arma e A pomba branca, são recitados pelo próprio autor. O grupo de rap paulistano Facção Central vem lendo o Posfácio Capão Pecado e o CD ainda conta na produção da poesia Foi num sebo velho com DJ Dri. Com capa exclusiva, feita especialmente para o álbum, o artista João Machado mostra seu talento esculpindo um livro.