18/12/2009
Balanço político da 14ª Primavera dos Livros
Brasileiros e argentinos vão criarum índice de bibliodiversidadeA
parceria foi fechada na Primavera dos Livros em São Paulo, quando as
editoras independentes decidiram criar grupos temáticos para
implementar ações no mercado livreiro. Eles serão anunciados na edição
carioca do evento, de 26 a 29 de novembroAs
editoras independentes brasileiras fecharam um acordo com as
independentes do mercado argentino para construir um índice capaz de
medir a diversidade bibliográfica (ou bibliodiversidade) de acervos. A
parceria foi fechada durante a 14ª Primavera dos Livros, que aconteceu
este mês em São Paulo, entre a Libre-Liga Brasileira de Editoras, que
promove o evento, e a Edinar-Editores Independientes de Argentina por
la Diversidad Bibliográfica. Além disso, a Libre decidiu em assembleia
formar grupos de trabalho temáticos relacionados à cadeia do livro, que
serão definidos durante a Primavera dos Livros do Rio de Janeiro, de 26
a 29 de novembro no Museu da República, já em fase de preparação.
"No
balanço geral, a Primavera dos Livros São Paulo 2009 foi importante
para avançar em estratégias políticas que prometem fortalecer a ação
dos independentes e que devem ser aprofundadas no evento do Rio",
avalia a presidente da Libre, Cristina Warth (da Pallas Editora).
"Especialmente em um momento em que se prepara a criação do Fundo
Pró-leitura, estimado em R$ 50 milhões por ano, a partir de
contribuições provenientes da receita do setor."
A Edinar reúne 30 associados, que estão presentes também na rede
gentedellibro.ning.com.
Criada há cerca de dois para juntar ao debate outros profissionais do
livro, além de editores, essa rede já conta com 650 participantes,
entre livreiros, ilustradores, distribuidores etc. Na Argentina, vigora
há cinco anos a lei do preço único, que impede variações regionais no
valor do livro. São permitidos descontos de no máximo 10%, e apenas em
feiras.
Segundo Guido Indij (dono da editora La Marca e
livreiro), que esteve em São Paulo na 14ª Primavera dos Livros
representando a Edinar, após quatro anos de atividade informal, a
entidade vai ganhar seu estatuto jurídico até dezembro. "De um modo
sintético, podemos nos definir dizendo que estamos contra a
concentração editorial, econômica e de opiniões. E a favor da
multiplicidade de projetos e de editoras, pequenas e médias, no
mercado", afirma.
O índice de bibliodiversidade (IBD), explica
Guido, deve refletir, em um conjunto de livros, a relação entre o total
de editoras e o total de títulos, quantos são originais nacionais,
quantas traduções, quantos lançamentos, reedições, linhas temáticas
etc. De modo a ser possível medir se uma livraria, uma região, uma
cidade e até um país tem maior ou menor diversidade bibliográfica, ou
seja, maior ou menor riqueza no seu repertório cultural. Para Cristina
Warth, da Libre, o estudo deve começar com as compras públicas de
livros, que têm dados abertos e públicos.
ProfessoresA
importância de diversificar os conteúdos também ficou evidente, no
evento, durante os debates com autores sobre gêneros literários para
educadores e mediadores de leitura, que reuniram público total de cerca
de mil pessoas no Centro Cultural São Paulo. Na sua maioria, as
intervenções feitas por professores criticaram a falta de opções
editoriais nas bibliotecas escolares, especialmente livros de cordel,
sobre temas de cultura popular, indígena e africana, e poesia.
A
Libre contabilizou adesões recentes, totalizando 105 associados, 60
deles presentes à Primavera dos Livros paulistana, ao lado de estandes
parceiros -- de editoras independentes espanholas, convidadas com apoio
da Embaixada da Espanha no Brasil, e da Imprensa Oficial, que imprimiu
todo o material gráfico de divulgação do evento. Para a Primavera dos
Livros do Rio de Janeiro, até o momento já estão confirmados 72
expositores associados e um convidado (a editora da Universidade
Federal Fluminense), cerca de 8 mil títulos.
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