"Um dos debates mais interessantes produzido pelos estudos sobre o esporte
como importante questão da sociedade contemporânea diz respeito ao seu
possível caráter expressivo, em que medida as práticas esportivas podem ser
parte da experiência estética." Como a arte se torna esportiva ou como o
esporte escapa de seus domínios estritos da competitividade e da busca pela
vitória para influenciar e dialogar com arte. A partir da modernidade, as
práticas esportivas passam a ser fruídas como a arte, com "finalidade sem
fim", expressão de nossa finitude e seu respectivo impulso a tentar superá-la.
"O olhar de Victor Andrade de Melo é o do amante, aquele que se aproxima do
outro sem a pretensão de destruí-lo, já sabendo, de antemão, que a graça do
jogo é entregar-se, deixar-se levar pelo movimento mimético que tanto a arte
quanto o esporte convidam, sempre que o fascínio estetizante não encobre, nem
exaspere o sofrimento. Este olhar, mesmo que sob a lente do deleite estético,
não concorre com o gesto analítico do historiador. Pelo contrário, oferece-lhe
a potência da busca de uma história social da cultura que, simultaneamente,
não descuida nem do contexto, nem das singularidades - técnicas, políticas,
estéticas - das fontes." Fica o convite para uma leitura agradável e que nos
leve a pensar.