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PROGRAMAÇÃO PRIMAVERA LITERÁRIA RIO 2018

 

 

ESPAÇO INFANTIL

QUINTA 18/10

 

11h Contação de histórias do livro Um pra cada lado e oficina de criatividade

Luciana Rigueira

 

14h Oficina Como nascem as histórias

Helena Lima

 

15h Conversa sobre o livro Peixe de abril

Simone Mota

 

SEXTA-FEIRA 19/10

 

10h Desafios da mediação da leitura literária hoje

Cíntia Barreto

 

11h Palestra Oralidade e contos africanos : Histórias de Ouvir da África Fabulosa

Carlos Alberto de Carvalho

 

14h Oficina de ilustrações do livro Histórias de ouvir da África fabulosa

Fabio Maciel

 

15h Contação de história do livro Como tudo começou – A primeira aventura da Turma do Planeta

Silvana Gontijo

 

18h Bate Papo Livro: “Bordados”
Projeto MANOS QUE CUENTAN. Peru- Brasil
Rosana Reategui

 

SÁBADO 20/10

 

10h Belé Salsicha

Contação de Histórias + Autógrafos

Autora Ana Sampaio

Ilustração Heitor Corrêa

 

11h É conversando que a gente se entende

Bate papo sobre comunicação não violenta

Julia Luz

 

14h Contação de histórias + sessão de autógrafos

Os 2 porquinhos e meio

Marta Lagarta

 

16h Representação negra na literatura infantil

Cássia Vale

Luciana Palmeira

Kênia Maria

Simone Motta

Mediação: Ernesto Xavier

 

17h – Biodanza para crianças + Lançamento do livro Biodanza – um caminho para o mundo biocêntrico

Beatriz Câmara e Julia Rodrigues

Semente Editorial

 

18h Conversa sobre o livro Tempo de brincar

​​​Marilia Pirillo

 

DOMINGO 21/10

 

10h Aulão de Boxe Infantil

Professor Peppe

(a partir de 12 anos)

 

11h Contação de histórias do livro Um marido para Dona Baratinha

Autora Dircéa Damasceno

 

14h Primavera convida Clube de Leitura Quindim

Slam de ilustração

 

15h Contação de Histórias

Ana Clara das Vestes e Trio +
Lançamento do Livro Dois dinossauros e uma duna imensa
Ana Clara Vestes
Ilustração Camilo Martins
Semente Editorial

 

16h #PapoComZero : uma campanha de diálogo inspirada no conto ‘A fuga do zero’  

Ana Luiza Novis

 

17h Conversa sobre o livro ​A Princesa Maravilha ou de como uma ervilha incômoda Provocou um final feliz.
Cristina Villaça
Editora Kimera

 

18h Bate-papo Não Somos Anjinhos com Gusti Rosemffet + oficina

 

 

ESPAÇO EDUCATIVO

QUINTA 18/10

 

*****PROGRAMAÇÃO ESPECIAL DIA DO EDITOR *****

 

10h Panorama cenário do mercado editorial brasileiro

Ismael Borges – Nielsen

 

11h Revolução 4.0 – Economia em rede

Raissa Pena – Catarse

Carolina Herszenhut – Aborda

 

14h Internacionalização e seus processos

Bia Alves – HarperCollins

 

15h Painel Forma Certa

 

15:30h Workshop Como fazer para vender seu livro ainda em 2018

Bruno Mendes – Coisa de Livreiro

 

17h Pega na minha mão e vem

Simei Jr. – Metabooks

Camila Cabete – Kobo

 

18h O livro e o licenciamento

Mariana Rolier – HarperCollins

Sintia Mattar – Trevisan Mattar Consultoria Jurídica

Eduardo Albano – Ubook

Janaina Ávila Brasil – Produtora outrastorias

Mediação Cassia Carrenho – Lab Pub

 

SEXTA-FEIRA 19/10

 

10h Workshop de autopublicação e pitch para autores independentes

Plataforma Bibliomundi e Palestrantes convidados

 

11h30 Oficina de escrita Oulipiana

Ana de Alencar

 

14h Oficina de formação de contadores de histórias e mediadores de leitura

Francisco Gregório

 

15:30 Mini Curso: Como escrever boa ficção fantástica, sagas e trilogias

Julio Algaze Mansour e Ilmar Penna Marinho Júnior

 

17h Literatura e Fantasia

Juva Batella

Miguel Conde

 

18:30h Marcos Legais para formar leitores

Renata Costa

Guilherme Relvas

Francisco Gregório

Mediação: Volnei Canônica

 

SÁBADO 20/10

 

10h Primavera Convida Puxadinho

Carol Delgado

 

14h Pitch do livro: como seduzir editoras com o seu original

Vagner Amaro

Paula Cajaty

Valéria Martins

Michelle Strzoda

 

16h Primavera convida Philos

Oficina de escrita poética

Thássio Ferreira

 

17h Primavera Convida Agência ONZE – UVA

Economia Criativa: As potencialidades do Rio como Cidade Criativa

 

18h30 Workshop: Vamos viajar? O que você precisa saber para se tornar um viajante

Claudia Liechavicius

 

DOMINGO 21/10

 

10h Literatura e Astrologia: alguns encontros

Roberta Ferraz

 

11h30 O poder dos nutrientes

Dr. Raimundo Santos

 

14h Oficina de autobiografia

Tania Carvalho

 

15:30 Nuvens e Bigornas – a poesia de Hilda Machado e Yasmin Nigri

Cide Piquet

Yasmin Nigri

 

17h Bate Papo “Carolina Maria de Jesus – uma biografia”biografia”

Tom Farias

 

TENDA FAÇA AMOR, NÃO FAÇA GUERRA

QUINTA 18/10

 

10h Primavera Convida Nespe

Workshop: 3 ou 4 coisinhas sobre técnicas de escrita criativa

Leandro Muller

Flávia Iriarte

 

14h Ocupa Museu – Políticas Públicas e Direito à Memória

Ana Paula Zaquieu
Alvaro Marins
Aline Montenegro

 

15h30 Reconstruindo as bibliotecas

Andreia Rangel
Verônica Lessa

 

17h Narrativas indígenas: produção cultural de resistência

 

18h30 Poesia e paisagem

Michel Collot

Masé Lemos

Marcelo Reis de Melo

 

SEXTA-FEIRA 19/10

 

10h Workshop: Life Coaching

Claudia Guimarães

 

11h30 A Formação do Jornalista 2.0
Agência ONZE – UVA

 

14h Primavera Convida MultiRio
Roda de Conversa sobre o livro Animação Brasileira: 100 filmes essenciais

 

15h30 Ativismo jovem

Coletivo Papo Reto

Slam das Minas

Coletivo Ocupa Amaro

 

17h Linguagens poéticas e ativismo antidiscriminatório
Ramon Nunes Mello
Paulo Sabino

Simone Mazzer

 

18h30 Até onde pode o judiciário?

Ricardo Lísias

Wadih Damous

 

SÁBADO 20/10

 

10h Carreira de autor

Alessandro Thomé

Janda Montenegro

Thássio Ferreira

 

11:30 Brasilidades
Luis Antonio Simas
Marcelo Moutinho

 

14h Tabu na literatura

Andrea Viviana Taubman

Alessandro Thomé

Fátima Pacheco

 

15h30 Primavera convida Quatro Cinco Um
Raquel Menezes
Antonio Freitas

Mediação Fernanda Diamant

 

17h 1968: 50 anos depois

Ítalo Moriconi

Angélica Müller

Eduardo Jardim

 

18:30h Os diários na literatura
Felipe Charbel
Kelvin Falcão Klein

 

DOMINGO 21/10

 

10h Mesa Mulheres no Poder

Débora Thomé
Hildete Pereira de Melo
Glaucia Fraccaro
Maria Claudia Badan Ribeiro

 

11h30 Mulheres Negras na Literatura

Conceição Evaristo

Paloma Franca Amorim

Eliane Alves Cruz

Teresa Cárdenas

 

14h Publique Sexo

Bella Prudencio

Ara Nogueira
Seane Melo

Camila Cabete

Mediação: Cassia Carrenho

 

15h30 Reflete o feminino por que o feminino importa
Palmira Margarida
Helena D’Aradia
Mediação: Crib Tanaka

 

17h Primavera Convida Mulheres que Escrevem

Escritas Híbridas

Leticia Novaes

Dara Bandeira

Estela Rosa
Mediação: Tais Bravo

 

18h30 Mulheres do Funk

Verônica Costa

Adriana Facina

Taísa Machado

Ingrid Neponucemo

Mediação: Carol Rodriguez

 

ESPAÇO LANÇAMENTOS

SEXTA-FEIRA 19/10

 

15h Arte dos contos

Vários autores

MultiRio e Secretaria Municipal de Educação

 

16h Marx e a História

Gustavo Machado

Editora Sundermann

 

17h Porque não escrevi nenhum de meus livros

Marcel Bénabou

Tradução: Ana de Alencar
Editora TABLA

 

18h Guardados no Coração

Franciso Gregório

Semente Editorial

 

 SÁBADO 20/10

 

13h Itinerários

Autor Thássio Ferreira

UFPR

 

14h Lançamento Coletivo Ibis Libris

Editora Ibis Libris

 

15h Caveiras

Bate papo + autógrafos

Autor Victor Abdala

Editora Evora

 

16h Não me toca seu boboca

Autora Andrea Viviana Taubman

Ilustrações Thais Linhares

Editora Aletria

 

17h Contos de encantar o céu

Bate papo + autógrafos

Autoras Helena Lima

Ângela Leite de Souza

Ana Luiza Figueiredo
Editora Lago de Histórias

 

18h Amores Desvalidos

Autor Rogério Athayde

Editora Oficina Raquel

 

DOMINGO 21/10

 

15h O som de um coração vazio

Bate Papo + Autógrafos

Autora Graciela Mayrink

Editora Bambolê

 

16h Sebastian

Autora Bella Prudencio

Editora Oficina Raquel

 

17h Lançamento coletivo de autores independentes

 

18h Sexo a três

Autor Vinni Corrêa

Editora Jaguatirica

 

CINEMA

SEXTA-FEIRA 19/10

 

11h às 17h Ocupação Cineclubista Cine&Manas

 

SÁBADO 20/10

 

11 ás 16h Ocupação Cineclubista MultiRio: Animação Brasileira: 100 filmes essenciais

 

DOMINGO 21/10

 

11h às 17h Ocupação Cineclubista Subúrbio em Transe

 

 CHAFARIZ – OCUPAÇÕES ARTÍSTICAS

 

SEXTA-FEIRA 19/10

19h Slam das Minas

 

SÁBADO 20/10

 

13h Cartola é do Catete

15h Palestra + Prática de meditação transcendental

Valéria Portugal

Professor Aloísio Reis Nunes

 

16h  Juventude-raiz: histórias do Norte brasileiro

Leão Zagury

Anatole Jelihovschi

 

17h 12º Festival de Poesia da Primavera Literária

Realização: Ibis Libris

 

19h Bloco Só Paro no Próximo Capítulo

 

DOMINGO 21/10

 

16:30  Poesia Ara Nogueira

 

17h Leitura dramatizada do Livro Sexo a Três

Vinni Corrêa

 

 

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Flip 2018: Casa Libre & Nuvem de Livros debate ‘Leitura, gesto político’

Confirmada pelo quinto ano seguido, programação da casa parceira do festival de Paraty discutirá possibilidades de formação do pensamento crítico a partir da leitura.

 

O educador Paulo Freire (1921 – 1997) dizia: “Fora da leitura, o que há é alienação. Daí, a manipulação e a submissão. Ler é um ato político, essencialmente”. Leitura, gesto político é o tema que conduzirá os debates na Casa Libre & Nuvem de Livros, programação parceira da 16ª Feira Literária Internacional de Paraty (Flip 2018), que será realizada entre 25 e 29 de julho no Rio de Janeiro. A casa funcionará de 26 a 30 de julho, das 11h às 22h, na Rua da Lapa, 8, Centro Histórico de Paraty. A Liga Brasileira de Editoras (Libre) — associação de editoras independentes com maior representatividade no Brasil — e a Nuvem de Livros — biblioteca virtual por assinatura que reúne títulos de inúmeras editoras e outros conteúdos — renovam, assim, a bem-sucedida parceria no festival, iniciada em 2014.

O tema defendido na Casa Libre & Nuvem de Livros parte da premissa de que a leitura instaura um campo de presença e encontro com outros saberes, facilitando diálogos e trocas atemporais, contribuindo desta forma com a potencialização e construção de novas consciências. “Pelo quinto ano consecutivo, a Libre, em parceria com a Nuvem de Livros, traz uma discussão contundente para a Flip. Discutir o papel da leitura é discutir o mundo. É discutir as possibilidade de formação de novos leitores e que estes sejam atentos e reflexivos. Discutir leitura é fugir da alienação que parece nos rondar. O mercado editorial precisa entender que, para o crescimento do número de leitores, é preciso incentivo e formação de seres pensantes”, diz Raquel Menezes, presidente da Libre.

“A Libre e a Nuvem de Livros esperam que a leitura possa ‘gestar-se’ em novos territórios para novos sujeitos, fomentando resiliência e transformação, engendrando sonhos, construindo pontes e abrindo caminhos possíveis ao crescimento sociocultural. Afinal, é lendo que se desenvolve o pensamento crítico”, ressalta Roberto Bahiense, CEO da Nuvem de Livros.
Durante cinco dias, escritores e demais profissionais do mercado editorial, jornalistas e acadêmicos participarão de debates na Casa Libre & Nuvem de Livros. Uma das mesas já confirmadas, no dia 27 de julho, às 16h, discutirá sobre Representatividade na literatura e nos festivais literários, com participação das escritoras Paloma Franca Amorim, que escreve às quartas-feiras para o jornal paraense ‘O Liberal’, Guiomar de Grammont, organizadora do Fórum das Letras de Ouro Preto, e Gisele Corrêa Ferreira, curadora e organizadora do Flipoços, o evento literário de Poços de Caldas. Doutor em Literatura Brasileira, jornalista e escritor, Haroldo Ceravolo será o mediador. O encontro será propício para debater a necessidade de haver diversidade étnica, racial e de gênero nos eventos de literatura. A ausência de escritoras mulheres e não brancas na XXII Feira Pan-Amazônica do Livro, do Pará, por exemplo, foi recentemente alvo de críticas tecidas por Paloma Franca Amorim em artigos publicados na imprensa.

Também no dia 27, às 21h, o Encontrão de Poetas chega à Casa Libre & Nuvem de Livros para reunir poetas e leitores de poesia, e lançar as plaquetes do projeto Coopoesia: coletivos de poesia na cidade do Rio de Janeiro. A noite de leitura e performance vai contar com as poetas Ana Carolina Assis, integrante do coletivo Oficina Experimental de Poesia, Estela Rosa e Taís Bravo, que tocam o projeto Mulheres que Escrevem, entre outros convidados. Durante o ano, o Encontrão de Poetas é realizado no Morro da Conceição, no Rio, pelo coletivo A Mesa, que promove projetos em artes visuais e poesia.

O público que costuma prestigiar a Casa Libre & Nuvem de Livros desde 2014 já comparece com a expectativa de desfrutar, naquele espaço, do aprofundamento sobre a análise da realidade brasileira. Isso aconteceu, por exemplo, durante as históricas conferências de Leonardo Boff e Marcelo Freixo Lázaro Ramos, Conceição Evaristo, Chico Alencar na edição 2016. Em 2017, a programação se aprofundou sobre como a leitura pode contribuir para a superação das graves crises que o Brasil atravessa, como forma de resistência política.

Constituída em 2002, a Libre congrega cerca de 130 editoras de diversas regiões do país em defesa da bibliodiversidade, termo que se refere à necessidade de diversidade na produção editorial e nos acervos disponibilizados aos leitores em bibliotecas, livrarias e outros ambientes. A bibliodiversidade está relacionada à própria ideia de diversidade cultural — é a garantia de que o mercado do livro ajude a construir uma sociedade que respeite e promova a democracia e a diversidade de cultura, política e de gênero. Associada à Aliança Internacional dos Editores Independentes, com sede em Paris, a Libre é a maior rede do mundo dentro de tal segmento editorial.

A Nuvem de Livros é uma biblioteca em nuvem que permite a consulta ao seu acervo em um ambiente com acesso controlado e licenciado, absolutamente seguro, ideal para escolas, universidades e famílias, reunindo milhares de livros, vídeos e conteúdos interativos. Após aderir ao serviço, o usuário pode acessar romances, biografias, coletâneas de contos, crônicas, poesias, ensaios, novelas e vários outros gêneros literários, além de atlas, enciclopédias e dicionários. Também compõem a plataforma audiolivros, audiocursos, entrevistas com importantes e premiados autores e produtores culturais, vídeos sobre literatura e saúde, reforço escolar e visitas guiadas aos mais respeitados museus do mundo.

Neste ano, o espaço conta com o apoio da Metabooks, plataforma de gerenciamento de metadados integrada ao sistema de editores e livreiros, da gráfica Forma Certa, da Bibliomundi, plataforma de autopublicação e distribuição de e-books e do Quindim, clube de leitura infantil.

 

CARTA AO FNDE

Rio de Janeiro, 05 de abril de 2018

 

Prezado Presidente do FNDE,

Senhor Antonio Idilvan de Lima Alencar,

 

A Liga Brasileira de Editora (LIBRE), representante de mais de 100 editoras brasileiras independentes, vem por meio desta externar sua preocupação com os retrocessos presentes nos editais: EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA O PROCESSO DE INSCRIÇÃO E AVALIAÇÃO DE OBRAS DIDÁTICAS PARA O PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO PNLD 2018 e EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA O PROCESSO DE INSCRIÇÃO E AVALIAÇÃO DE OBRAS DIDÁTICAS E LITERÁRIAS PARA O PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO E DO MATERIAL DIDÁTICO PNLD 2020. As regras dos editais, na prática, desfavorecem e dificultam a participação de editores independentes, reduzindo a oferta de diversidade para os alunos da rede pública, o que encerra um desrespeito com estes mesmos alunos como leitores e consumidores de livros.

Para entender os problemas dos editais, devemos, inicialmente, considerar que vivemos um tempo de escassez de compras governamentais de livros para a rede pública de ensino, o que impacta profundamente a economia do livro no país. A gritante descontinuidade das ações governamentais na área nos últimos anos fragiliza políticas públicas essenciais num país que ainda enfrenta problemas graves na área da leitura e do letramento.

Além de representar uma retomada tímida e insuficiente dessas compras, os editais trazem problemas de redação que ferem os princípios de formação do leitor. Mais grave que isso é o ataque à igualdade da cadeia do livro. As regras que exigem a formatação de livros para padrões estabelecidos de antemão pelo governo representam um trabalho adicional que, em si, favorece as grandes editoras. Essa questão já fora fartamente discutida e parcialmente superada por governos anteriores pela pela adoção de uma série de medidas que foram, agora, simplesmente ignoradas. Não apenas os grandes grupos econômicos do setor são favorecidos, contrariando o espírito da Constituição de 1988, que prevê o incentivo à ampla concorrência e às empresas de menor porte  ‒ as que, sabidamente, empregam proporcionalmente mais trabalhadores ‒, os editais impõem regras que resultam no oferecimento aos estudantes de livros que mais se assemelham a apostilas, empobrecidos em seus aspectos físicos, o que contribui para afastar os estudantes de um dos elementos centrais do mundo da leitura: a diversidade de formas que o livro pode apresentar.

Além disso, não há regras que de fato limitem a participação de grandes grupos editoriais por meio de CNPJs artificiais, criados apenas para vendas governamentais. Pelo contrário, ignorando os avanços do Estado brasileiro no reconhecimento da importância da diversidade cultural e editorial brasileira, tais normas do PNLD estimulam a concentração e a homogeneidade cultural. É como se o governo trocasse uma floresta nativa por uma floresta de eucaliptos, em que a biodiversidade é sufocada pela monocultura.

Explicando historicamente: depois de uma compra em caráter precário em 2003, o MEC passou a adotar regras que favoreciam a participação de pequenas empresas e a valorização da bibliodiversidade. A limitação no número de inscrições de obra por cada editora concorrente indicou aos editores independentes que eles teriam condições reais de ter suas obras realmente avaliadas, sem ser necessário recorrer à pressão de lobistas ou investimentos improdutivos em marketing. Com a ampliação da participação de editoras independentes no processo, limitando a participação das grandes empresas, cresceu a oferta total de livros produzidos em todo o país e a diversidade de projetos editoriais em disputa. Não é preciso ir além para compreender o impacto disso na variedade editorial que se tornou acessível a milhões de estudantes brasileiros.

Nesse sentido, é preciso entender que os editais em questão representam um atraso enorme no que diz respeito à diversidade editorial. O governo praticamente reconhece que, em vez de bons livros para os alunos da escola pública, ofertará exemplares estanrdardizados e, consequentemente, com menos viço. O setor público, assim, explicita um preconceito contra os mais pobres, que ficam privados da qualidade editorial disponível para os leitores que podem pagar por livros nas livrarias. Além disso, as exigências relativas a manuais de leitura são, também, um retrocesso pedagógico em matéria da autonomia que se espera crescentemente dos professores. Em vez de alunos e professores que produzam e troquem conhecimento, o MEC estimula a padronização da leitura de obras literárias.

Desse modo, a Libre acredita que o PNLD deve ser revisto radicalmente, retomando os avanços que o Estado brasileiro construiu a partir de discussões amplas e democráticas com leitores, autores, editores e professores.

Para que a cadeia do livro seja respeitada e incentivada, é preciso que as editoras independentes, que idealizam suas políticas editoriais com maior autonomia, tenham direito a competir em condição de igualdade com os grandes grupos editoriais.

 

 

Raquel Menezes

Presidente da Libre no biênio 2018-2019

LIBRE no GT de Internacionalização da Literatura

A Diretora de Relações Institucionais da LIBRE, Rosana de Mont’Alverne Neto esteve no último dia 6 de fevereiro na primeira reunião do ano do Grupo de Trabalho de Internacionalização da Literatura Brasileira, no MinC, em Brasília. Compartilhamos com os associados as informações principais do evento:

A reunião foi aberta pelo Mansur Bassit, Secretário da Economia da Cultura do MinC e coordenada pelo Guilherme Relvas, Diretor do Departamento do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) do MinC, que informou estar em curso a elaboração de uma Portaria que instituirá formalmente e regulamentará o GT. A Diretora destacou, para a LIBRE, os pontos mais relevantes da reunião:

1 – presença de Fabrício Tanure, Assessor do Ministro da Cultura para assuntos do Projeto Brasil 200 Anos – celebração nacional em torno dos 200 anos da independência do Brasil, que se dará em 2022. Fabrício informou que não só a preparação do evento, mas as programações já começam em 2018 e se estenderão até 2022. O grande objetivo é valorizar nossa história, nossa cultura e nossos ícones, ampliando o conceito de “independência”: do país, da sociedade e dos indivíduos. Segundo ele, “a missão é engajar os brasileiros na criação de um projeto de país para o século XXI”. O projeto Brasil 200 anos será lançado, inicialmente, em plataforma digital, porém ainda não há previsão de data. Mansur Bassit sugeriu a divulgação do tema nas feiras internacionais. Fabrício encerrou pedindo a todos que enviassem sugestão de TEMA, como um slogan.

Sugestão da Diretora: O discurso do Fabrício Tanure é propositivo, mas carece de consistência, descrição de etapas, orçamento, fontes orçamentárias, órgãos envolvidos, distribuição de competências. A sugestão é que editoras da LIBRE, que tenham obras a respeito do assunto, poderão reivindicar recursos do MinC para tradução em inglês, francês, alemão e espanhol. Quem quiser contribuir com a sugestão do tema, a hora é agora. A ideia é boa: quem sabe a partir de 2019, com um novo Governo, o projeto deslancha?

2 – Foi distribuída uma planilha das Feiras Internacionais em 2018 onde o Brasil será participante, a saber: Paris, Bolonha, Londres, Bogotá, Buenos Aires, Shangai, Frankfurt, Sharjah, Guadalajara.

Os dois representantes do MRE (Ministério das Relações Exteriores), Beatriz Goes e Gustavo de Sá, reclamaram de escassez de recursos e informaram que o MRE vai comprar “menos espaço” para o estande brasileiro. Afirmaram que, neste ano eleitoral, os repasses serão liberados até 07 de julho e depois do 2º turno das eleições.

Quanto à presença de livros nas prateleiras dos estandes internacionais, observa-se que no MinC não há um planejamento e vontade política para colocar a cara do Brasil nas feiras internacionais, é tudo feito com muito improviso. Se a LIBRE quiser, de fato, propiciar a participação de suas editoras associadas nessas feiras, é necessário – com urgência – pensar em estratégias, planejamento e ações. Foi sugerido o início de um “debate de ideias”. Talvez, na próxima reunião do GT (prevista para dia 6 de março), já seria possível levar um ofício ou mesmo uma apresentação em PPT para expor os interesses e reivindicações dos Editores da LIBRE.

A Diretora, conforme informação dos representantes que participaram da reunião por Skype, lembrou que o Edital de Apoio à Tradução da FBN “está garantido”. Vamos torcer!

3 – Conclusões: Luiz Alvaro (BrazilianPublishers) questionou “qual o modelo de participação o Brasil vai ter nas Feiras Internacionais?”. Muito pertinente e oportuno o questionamento! Se os editores brasileiros pretendem, de fato, internacionalizar obras e autores, precisam ir à luta, começando a pensar nesse “modelo”.

A Diretora sugeriu, na reunião, um Programa específico do MinC/MRE/CBL-BP para levar EDITORES para as Feiras Internacionais. Foi citado o exemplo do Fellowship parisiense – consultem em: https://www.bief.org/Operation-4063-Fellowship/Fellowship-a-Paris-2018.html. Ponderou que é necessário aprender viajando, visitando editoras, trocando experiências, comparando custos, etc., porém o MinC e os demais entes públicos envolvidos têm de fazer a parte deles.

Proposta: a LIBRE debateria o assunto e apresentaria uma proposta para o MinC/MRE para a próxima reunião.

4 – A Cíntia (MinC), sugeriu um Calendário Brasileiro de Feiras, Festas, Festivais, Bienais e Salões Literários. Pediu que enviássemos as informações de nossos estados. Aqui em Minas a Câmara Mineira do Livro (CML), que ora presido, já tem pronto o Calendário 2018 de Feiras e Festivais Literários. 😉

Cordialmente,

Rosana de Mont’Alverne Neto
Diretora de Relações Institucionais da LIBRE

 

Confira o Projeto brasil 200 anos em:

Brasil-200-anos_apresentação

UM LIVRO NÃO É APENAS UM LIVRO

 

 

Tem gente que acha que um livro é um monte de frases encadeadas – seja na forma de poesia, seja na de prosa. E tem razão: um livro é uma pequena organização de ideias, traduzidas em palavras escritas e, eventualmente, números e imagens.

Mas o livro não é só isso. Por trás de cada livro, há um sistema muito maior: que me perdoem os escritores, mas um livro é resultado, sempre, de muito mais gente.

Quando você, talvez preguiçosamente deitado antes de dormir, talvez dentro de uma biblioteca deliciosamente silenciosa, quiçá no meio da praça enquanto passa um ônibus freando ou ainda no meio de uma dura reunião de trabalho, certamente não vai pensar em quanta gente deu um duro danado pra que essas ideias escritas chegassem a você.

Mas admita que é bastante interessante pensar narcisicamente numa corrente de pessoas que, sem que você sequer imaginasse que um dia precisaria tanto do desse ou daquele livro, pensaram em você. Ou seja, para elas, você já existia antes de o livro existir para você.

Primeiro, há uma pessoa jurídica dedicada a pensar na melhor forma de fazer os livros existirem, que é chamada “editora”. Evidentemente, uma editora é feita de pessoas físicas, que executam cotidianamente as tarefas que lhe dão vida.

E quando o livro começa a existir? Primeiro, o arquivo de texto que o escritor manda à editora é avaliado, e muitos dos textos enviados não são escolhidos; depois de avaliado e aceito, o texto é preparado (com frequência, ele é reescrito, leve ou radicalmente, sempre com concordância do escritor); após a preparação, ele é diagramado, ou seja, o livro é “desenhado”. Nesse “desenho”, os editores e designers têm de escolher a melhor fonte, a melhor distância entre as letras, onde vão os títulos, em que lugar começa o texto, qual o tamanho da página e como será feita a numeração, se as fotos serão coloridas ou em preto e branco etc… E a capa, que é a cara do livro: os editores tentam, sempre, dar a melhor capa para o livro, aquela que o torne atrativo, mas que também o represente.

O livro feito e impresso na gráfica precisa chegar aos leitores. Os livros são vendidos por livrarias virtuais e físicas, mas às vezes chegam às pessoas com vendedores porta a porta ou ainda vão parar nas bancas de jornal. Como o livro é também uma mercadoria, dá-se a essa operação o mesmo nome que recebe o trabalho de distribuir carros, televisores, xampus: logística.

Mas o livro tem algumas peculiaridades: são dezenas de milhares de novos livros, cada um diferente do outro, editados, todos os anos, apenas no Brasil. Não há nenhum outro produto no mercado capitalista que conte com tamanha variedade de conteúdo – os livros podem até se parecer por fora, porém acabam dizendo coisas completamente diferentes por dentro…

Esse processo de desenvolvimento de cada título faz com que o trabalho do editor seja, ao mesmo tempo, industrial e artesanal: há gráficas, equipamentos e organização de uma indústria, mas, ao mesmo tempo, mesmo o livro mais banal é feito de forma única.

O livro é, com todo esse trabalho envolvido, portanto, uma coisa muito valiosa. Uma coisa valiosa que a gente lê por prazer ou necessidade. São duas formas igualmente legítimas e necessárias de fruir o conhecimento. Os editores sabem disso, e trabalham sempre para que, se possível, as leituras sejam prazerosas mesmo que necessárias, e necessárias porque prazerosas.

Tem mais uma coisa que precisamos dizer: em cada estante desta feira, você vai encontrar o que a gente chama de projeto editorial. Uma editora não se constrói, nunca, com apenas um livro. As editoras vão construindo seu catálogo, que é ao mesmo tempo uma coleção de livros e uma história da própria editora. Quando você se deparar com aquele monte de livros à sua frente em qualquer desses estandes, tente por um momento imaginar o projeto editorial que aqueles livros que você está selecionando contam.

A Primavera Literária nasceu da ideia de expor os projetos editoriais diferentes, de empresas que se preocupavam a fundo com seus catálogos e com a coerência de seus livros. A gente luta para preservar esses projetos, porque eles são a essência do que a gente chama de bibliodiversidade. A bibliodiversidade, portanto, não se expressa só quantos títulos diferentes você encontra no mercado, mas quantos desses projetos diferentes podem sobreviver num ambiente econômico, cultural e político hostil para com a cultura e a diferença.

Leitores que reconhecem a importância de cada livro publicado são fundamentais para defendermos a diversidade, a liberdade e a igualdade de expressão. Em resumo, para defendermos a democracia.

Haroldo Ceravolo Sereza é editor da Alameda e jornalista. Foi Presidente da Libre por dois mandatos, de 2011-2015.