Sinopse: Prefácio: Paulo Leminski
Apresentação: Haroldo de Campos
Edição bilíngüe
Apoio da The Korean Culture and Arts Foundation
-------------------
CORÉIA: UM PAÍS QUE SE CHAMA DANÇA
Paulo Leminski
E a devoração brasileira da poesia do planeta, via tradução, prossegue.
Agora um ramo de flores, iluminado, vindo do "País da Serenidade Matutina,
pelas mãos doces de Yun Jung Im, estudiosa coreano-brasileira, atualmente em
Seul, de onda manda uma carta, através do irmão me convidando para participar
desta bonita festa de poemas doloridos e ternos, densos e melancólicos.
Esta antologia (äntologia", em grego, quer dizer escolha de flores)
marca a chegada da poesia coreana entre nós, ampliando, no ano das Olimpíadas
de Seul (encontro helênico-coreano), nosso conhecimento das artes do Extremo
Oriente.
Da China, já conhecíamos várias coisas, através das transcriações do
original, por obra e graça de Haroldo de Campos ou através de traduções de
Ezra Pound, entre outros.
A poesia japonesa, através dos haikais, já é presença na poesia
brasileira desde o Modernismo.
A poesia coreana traz, a fogo, a marca do povo que a produziu, um povo
sofrido de mil guerras e mil invasões, imprensado entre a China e o Japão,
por eles invadido e oprimido. Nesse sentido, a condição nacional do povo
coreano lembra demais a situação da Polônia na Europa, nação orgulhosa sempre
espremida entre os alemães de um lado e os russos do outro.
Como os poloneses, os coreanos tiveram muito que lutar para preservar
sua personalidade nacional e seus valores culturais.
Assim como a língua polonesa foi proibida por dominadores prusssianos e
russos, a língua coreana chegou a ser proscrita pelos invasores japoneses.
Mas, como a Polônia e o povo polonês, a Coréia e o povo coreano
sobreviveram e hoje estão presentes aqui no Brasil em contingentes
imigratórios significativos, entrando a fazer parte, a partir de agora, deste
carnaval de raças que, um dia, vai ser o povo brasileiro.
Na poesia coreana do século XX, objeto deste livro, me chama a atenção a
finura de percepção, a delicadeza de certos registros e uma espécie de doce
melancolia que impregna tudo.
E, sobretudo, a presença de um grande poeta, a revelação do livro para
mim, desde já o meu poeta coreano moderno, o boêmio e surrealista Yi Sang,
com poemas experimentais surpreendentes.
"Coreó", o nome antigo da Coréia, significa Alta Beleza".
Pelo Aurélio, significa "Dança". Feliz coincidência.
E nessa dança, estamos desde já.
(junho de 1988)
Sumário:
Prefácio
CORÉIA: UM PAÍS QUE CHAMA DANÇA 13
Paulo Leminski
Introdução
O DESPERTAR DOLOROSO NO PAÍS DA MANHÃ SERENA 15
Yun Jung Im
POETAS (Poemas) 22-115
Han Young-Un
Yi Byóng-gui
O Sang-sun
Namgung Byók
Yi Sang-hwa
Kim Dong-myóng
Kim So-wór
Kim Sang-yong
Jóng Ji-yong
Kim Yóng-rang
Bak Young-tchór
Yi Yuk-sa
Kim Gwang-sób
Shin Sók-jóng
Kim Gui-rim
Yu Tchi-hwan
Yi Sang
Yi Ho-u
No Tchón-myóng
Kim Hyón-sung
Kim Gwang-Gyun
Só Jóng-Ju
Ham Yun-su
Bak Du-jin
Bak Mog-wór
Yun Dong-ju
Jo Hyang
Jo Ji-hun
Kim Su-yóng
Kim Jong-sam
Kim Tchun-su
Bak In-hwan
Kim Nam-jo
Jo Nam-du
Jón Bong-gón
Sóng Tchan-gyóng
Yi Hyóng-gui
Shin Gyóng-rim
Hó Yóng-ja
Notas 117 - 118
Poetas (biografias) 119 - 128
Sobre a tradutora 129
Orelha:
ALGUNS POEMAS
Namgung Byók
Dor da Estrelas
Querida, minha querida, quando
o bebê revira o corpo na cama
nunca te ocorreu, involuntariamente,
levar um grande susto?
Querida, minha querida, quando
as pessoas do mundo torcem e arrancam as flores da terra,
nunca te ocorreu que as estrelas do céu se contorcem de dor?
Kim Dong-myóng
Noite
Noite,
lago imenso numa névoa azul
Eu,
um pescador de sonhos na canoa do sono
Kim Gui-rim
O Mar e a Borboleta
Porque ninguém lhe disse da fundura
a borboleta branca não tinha medo do mar
Era para ela uma plantação de folhas verdes
e ao pousar, a asa tenra se gela no toque da água
e volta cansada como uma princesa
A borboleta, ressentida do mar de março sem flores,
sente a fina cintura gelar no crescente azul
Kim Hyón-sung
Janela
Amar a janela -
soa melhor do que amar o sol
porque não ofusca
Se se perde a janela
perde-se o estreito por onde se avança ao céu
e a alegria é para nós
a notícia de hoje
Pois quando limpamos a janela
é também quando podemos cantar
Dizem que as estrelas são terras alheias de dezembro,
distantes distantes...
E conservando a janela limpa e cristalina
exercitamos o hábito de abrir gentilmente os olhos,
e que os olhos límpidos
sejam os nossos corações reluzentes
na espera do amanhã...
Kim Tchun-su
Flor
Antes de eu pronunciar o nome
ele não era
mais que um simples gesto
Quando eu lhe pronunciei o nome
ele veio a mim
e se tornou uma flor
Assim como chamei-lhe o nome
alguém me chama o nome
que combine com o meu nariz e o meu perfume
Também quero ir até ele
e tornar-me a sua flor
Todos nós queremos ser algo
Eu para você, você para mim
Queremos ser
um inesquecível
significado
(Poemas extraídos do livro)
APRESENTAÇÃO
Haroldo de Campos
Esta antologia de poetas coreanos contemporãneos, organizada e
traduzida, com amor e competência, por Yun Jung Im, vem revelar ao leitor
brasileiro a fascinante e personalizada contribuição de uma literatura
poética singular. Ao mesmo tempo lírica e severa, sóbria e melancólica, é
capaz de singelezas tardo-românticas e de eflúvios simbolistas, mas também de
ousadias hipermodernas, que vão até aos transgressivos e irônicos
experimentalismos de vanguarda.
Poesia de contemplação da natureza, poesia dos conflitos amorosos,
poesia da guerra, poesia da paz, eis algumas das linhas principais que
definem a coletânea, onde se faz ouvir o canto a muitas vozes do País da
Manhã Serena (de Kaoli, Koorai, segundo o etimologista J. J. Egli, citado por
Antenor Nascentes).
Um país cuja escrita nos encanta o olho e cuja língua nos embala o
ouvido, e em cujos nomes, derivando-o com liberdade poética do grego Khoréia,
o fileleno filoriental Paulo Leminski leu talismanicamente dança.
LIVRO EM ESTOQUE NA EDITORA.
Envio em 1 dia útil, após confirmação do pagamento.
FRETE GRÁTIS: remessa via Correios/Carta.
Pague de forma segura e rápida pelo PAGSEGURO UOL:
cartão de crédito, transferência ou boleto.
Clique no botão para comprar com o
PagSeguro UOL:
|
|
POLÍTICA DE USO DO SITE DA LIBRE:
O site da Libre (Liga Brasileira de Editoras) é uma ferramenta de
promoção dos catálogos das editoras associadas na Internet.
A administração dos títulos aqui disponíveis é realizada exclusivamente
pela própria editora associada, apontando, se assim o desejar, pontos
de venda de seus livros: livrarias virtuais e físicas. As informações
sobre os livros são de responsabilidade exclusiva das editoras.
Os preços divulgados neste site são sugeridos pelas editoras, mas
as livrarias têm suas políticas de venda. desse modo o/a leitor/a
deverá considerar os preços da livraria de sua preferência. Aconselhamos
informarem-se previamente sobre as condições de venda e atendimento.
A Libre e as editoras associadas não se responsabilizam por eventuais
prejuízos resultantes de negócios realizados com as livrarias sugeridas.
Qualquer dúvida, faça contato com administracao@libre.com.br.
|