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Travessa 1
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O PÁSSARO QUE COMEU O SOL
Poesia Moderna da Coréia
Autor(es): Vários
Tradutor(es).: Yun Jung Im

ISBN fic00001
POESIA ESTRANGEIRA
Páginas: 130
Formato: 14 x 21 18 x 18
Peso: 200 Kg
Edição: 1ª
Idioma: Coreano/Português
Ano: 1993

Preço: R$ 14,90
 

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(LOJAS PARCEIRAS)








Sinopse:
Prefácio: Paulo Leminski Apresentação: Haroldo de Campos Edição bilíngüe Apoio da The Korean Culture and Arts Foundation ------------------- CORÉIA: UM PAÍS QUE SE CHAMA DANÇA Paulo Leminski E a devoração brasileira da poesia do planeta, via tradução, prossegue. Agora um ramo de flores, iluminado, vindo do "País da Serenidade Matutina, pelas mãos doces de Yun Jung Im, estudiosa coreano-brasileira, atualmente em Seul, de onda manda uma carta, através do irmão me convidando para participar desta bonita festa de poemas doloridos e ternos, densos e melancólicos. Esta antologia (äntologia", em grego, quer dizer escolha de flores) marca a chegada da poesia coreana entre nós, ampliando, no ano das Olimpíadas de Seul (encontro helênico-coreano), nosso conhecimento das artes do Extremo Oriente. Da China, já conhecíamos várias coisas, através das transcriações do original, por obra e graça de Haroldo de Campos ou através de traduções de Ezra Pound, entre outros. A poesia japonesa, através dos haikais, já é presença na poesia brasileira desde o Modernismo. A poesia coreana traz, a fogo, a marca do povo que a produziu, um povo sofrido de mil guerras e mil invasões, imprensado entre a China e o Japão, por eles invadido e oprimido. Nesse sentido, a condição nacional do povo coreano lembra demais a situação da Polônia na Europa, nação orgulhosa sempre espremida entre os alemães de um lado e os russos do outro. Como os poloneses, os coreanos tiveram muito que lutar para preservar sua personalidade nacional e seus valores culturais. Assim como a língua polonesa foi proibida por dominadores prusssianos e russos, a língua coreana chegou a ser proscrita pelos invasores japoneses. Mas, como a Polônia e o povo polonês, a Coréia e o povo coreano sobreviveram e hoje estão presentes aqui no Brasil em contingentes imigratórios significativos, entrando a fazer parte, a partir de agora, deste carnaval de raças que, um dia, vai ser o povo brasileiro. Na poesia coreana do século XX, objeto deste livro, me chama a atenção a finura de percepção, a delicadeza de certos registros e uma espécie de doce melancolia que impregna tudo. E, sobretudo, a presença de um grande poeta, a revelação do livro para mim, desde já o meu poeta coreano moderno, o boêmio e surrealista Yi Sang, com poemas experimentais surpreendentes. "Coreó", o nome antigo da Coréia, significa Alta Beleza". Pelo Aurélio, significa "Dança". Feliz coincidência. E nessa dança, estamos desde já. (junho de 1988)
Sumário:
Prefácio CORÉIA: UM PAÍS QUE CHAMA DANÇA 13 Paulo Leminski Introdução O DESPERTAR DOLOROSO NO PAÍS DA MANHÃ SERENA 15 Yun Jung Im POETAS (Poemas) 22-115 Han Young-Un Yi Byóng-gui O Sang-sun Namgung Byók Yi Sang-hwa Kim Dong-myóng Kim So-wór Kim Sang-yong Jóng Ji-yong Kim Yóng-rang Bak Young-tchór Yi Yuk-sa Kim Gwang-sób Shin Sók-jóng Kim Gui-rim Yu Tchi-hwan Yi Sang Yi Ho-u No Tchón-myóng Kim Hyón-sung Kim Gwang-Gyun Só Jóng-Ju Ham Yun-su Bak Du-jin Bak Mog-wór Yun Dong-ju Jo Hyang Jo Ji-hun Kim Su-yóng Kim Jong-sam Kim Tchun-su Bak In-hwan Kim Nam-jo Jo Nam-du Jón Bong-gón Sóng Tchan-gyóng Yi Hyóng-gui Shin Gyóng-rim Hó Yóng-ja Notas 117 - 118 Poetas (biografias) 119 - 128 Sobre a tradutora 129
Orelha:
ALGUNS POEMAS Namgung Byók Dor da Estrelas Querida, minha querida, quando o bebê revira o corpo na cama nunca te ocorreu, involuntariamente, levar um grande susto? Querida, minha querida, quando as pessoas do mundo torcem e arrancam as flores da terra, nunca te ocorreu que as estrelas do céu se contorcem de dor? Kim Dong-myóng Noite Noite, lago imenso numa névoa azul Eu, um pescador de sonhos na canoa do sono Kim Gui-rim O Mar e a Borboleta Porque ninguém lhe disse da fundura a borboleta branca não tinha medo do mar Era para ela uma plantação de folhas verdes e ao pousar, a asa tenra se gela no toque da água e volta cansada como uma princesa A borboleta, ressentida do mar de março sem flores, sente a fina cintura gelar no crescente azul Kim Hyón-sung Janela Amar a janela - soa melhor do que amar o sol porque não ofusca Se se perde a janela perde-se o estreito por onde se avança ao céu e a alegria é para nós a notícia de hoje Pois quando limpamos a janela é também quando podemos cantar Dizem que as estrelas são terras alheias de dezembro, distantes distantes... E conservando a janela limpa e cristalina exercitamos o hábito de abrir gentilmente os olhos, e que os olhos límpidos sejam os nossos corações reluzentes na espera do amanhã... Kim Tchun-su Flor Antes de eu pronunciar o nome ele não era mais que um simples gesto Quando eu lhe pronunciei o nome ele veio a mim e se tornou uma flor Assim como chamei-lhe o nome alguém me chama o nome que combine com o meu nariz e o meu perfume Também quero ir até ele e tornar-me a sua flor Todos nós queremos ser algo Eu para você, você para mim Queremos ser um inesquecível significado (Poemas extraídos do livro) APRESENTAÇÃO Haroldo de Campos Esta antologia de poetas coreanos contemporãneos, organizada e traduzida, com amor e competência, por Yun Jung Im, vem revelar ao leitor brasileiro a fascinante e personalizada contribuição de uma literatura poética singular. Ao mesmo tempo lírica e severa, sóbria e melancólica, é capaz de singelezas tardo-românticas e de eflúvios simbolistas, mas também de ousadias hipermodernas, que vão até aos transgressivos e irônicos experimentalismos de vanguarda. Poesia de contemplação da natureza, poesia dos conflitos amorosos, poesia da guerra, poesia da paz, eis algumas das linhas principais que definem a coletânea, onde se faz ouvir o canto a muitas vozes do País da Manhã Serena (de Kaoli, Koorai, segundo o etimologista J. J. Egli, citado por Antenor Nascentes). Um país cuja escrita nos encanta o olho e cuja língua nos embala o ouvido, e em cujos nomes, derivando-o com liberdade poética do grego Khoréia, o fileleno filoriental Paulo Leminski leu talismanicamente dança.

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