Arquivar agosto 2009

Lançamento: A Panela Amarela de Alice

Adoçar a papa do bebê sem usar açúcar, incrementar o cardápio para desenvolver um paladar sem frescuras nas crianças ou descobrir receitas que agradem também a pais e mães, aproveitando os mesmos ingredientes servidos aos filhos. Tudo rápido e fácil, para não sobrecarregar quem já tem muito trabalho cuidando da própria gravidez ou do recém-nascido.

A Panela Amarela de Alice (Memória Visual) nasceu das necessidades da própria autora, Tatiana Damberg, ao engravidar de sua primeira filha. Apaixonada por gastronomia, ela mudou a relação com a comida. E cedo percebeu que grávidas e mães em fase de amamentação sofrem uma espécie de "terrorismo gastronômico, em que tudo que se quer comer faz mal ou dá gases". Para fugir desse sentimento de angústia alimentar, começou a ler a respeito e pesquisar, até descobrir um jeito de cozinhar prático, gostoso e saudável – para a mãe e o bebê.

"O foco da minha vida é o gastronômico", explica a autora que é formada em Gastronomia, trabalha em uma agência de design de embalagens e mantém sobre o tema o canal Mixirica – site e twitter. Também escreveu A peleja do alecrim com o coentro e outros causos culinários: receitas e cordel (Memória Visual) e assinou as 65 receitas de Papel manteiga para embrulhar segredos (Memória Visual), obra de Cristiane Lisboa.

O livro A Panela Amarela de Alice será lançado na Primavera dos Livros, no Centro Cultural São Paulo, dia 13 de setembro (domingo), às 16h30. Reúne receitas para as mães, para a família e para o bebê. "Busquei receitas práticas, por exemplo, usando o mesmo ingrediente para a comida da mãe e a do bebê. Para que se possa evitar alimentos industrializados, mas sem que a mãe precise se matar na cozinha – ela que já tem muito trabalho", diz Tatiana.

A autora evitou a mesmice das papinhas, o tedioso império da mandioquinha, do espinafre e da cenoura. "Busquei alternativas, como o fígado de frango, o cará", conta. No livro, há uma tabela de dicas para substituições criativas que, além de garantirem as proteínas e vitaminas necessárias à criança, estimulam nela um paladar rico e diversificado.

A criança poderá experimentar, por exemplo, uma moqueca especial com leite de coco (que o livro também ensina a fazer em casa). "Tiro o dendê, mas junto ao peixe tomate, cebola, coentro e alecrim. Essa variedade de paladar é importante para formar uma pessoa sem frescuras alimentares."

Adoçar sem açúcar
Outra surpresa é o modo de preparo da pêra raspada, a que se mistura iorgute natural e um pouco de cardamomo. O resultado é um doce diferente e sem exagero. Está entre as favoritas da Alice que dá título ao livro.

Para adoçar naturalmente a comida, Tatiana ensina a acrescentar uva-passa ou ameixa seca aos ingredientes da papa. "Dizem que até os dois anos os bebês não precisam de açúcar refinado, e nem de televisão. Depois de meses tentando evitar que qualquer doce entrasse na boca do meu bebê, resolvi deixar o radicalismo de lado. Alice não come açúcar refinado, mas um substituto ou outro (como melado de cana ou maple syrup/xarope de bordo) chega ao prato dela de vez em quando. Adicionar uvas-passas ou ameixas secas à papinha, retirando-as antes de servir, também ajuda a dar um saborzinho doce natural a mingaus e compotinhas de frutas".

Neta de avôs e avós vindos da Letônia, a escritora também incluiu no livro receitas de família. "Coisas que a minha mãe sempre fez, como o creme de semolinha com sopa doce". Sopa doce? Sagu e pedacinhos de fruta (ou groselha seca). Além, claro, das clássicas "panquequinhas" pankoks, ótimas para comer com geléia, também descritas no site Mixirica.

Confira algumas receitas de A Panela Amarela de Alice:

Pêra com iogurte
1 pera madura
2 ou 3 colheres de sopa de iogurte integral
pitada de cardamomo em pó

Coloque o iogurte no prato, rale a pera bem fininha por cima, misture e polvilhe com o cardamomo.

Minicompota
1 maçã picada
10 uvas-passas sem sementes
água

Coloque a maçã bem picada, ou ralada, em uma panelinha e deixe dourar levemente. Junte as uvas-passas, cubra com água e deixe cozinhando em fogo baixo até a maçã amolecer bem e o líquido do cozimento engrossar um pouco. Retire as uvas-passas e sirva com iogurte. Faça esta receita também com pera, goiaba doce (tirando as sementes e casca) ou qualquer outra fruta não-cítrica da época.

Grão de bico com frango
1 xícara de grão de bico
100g de frango
1 colher de chá de cebola
azeite
sal

Deixe os grãos de bico de molho por algumas horas e quando as cascas começarem a soltar, retire-as. Refogue a cebola na panela com um pouco de azeite. Acrescente o frango em pedaços e deixe dourar. Junte os grãos de bico descascados, cubra com água e deixe cozinhar em fogo baixo até amolecer. Quando tiver só um pouquinho de água na panela, tempere com pouco sal, retire do fogo e esmague (com ou sem o frango, dependendo da dieta do seu bebê). Derrame um fio de azeite extravirgem sobre a papa na hora de servir.

Primavera: Cenário ibero-americano em debate

No primeiro dia da Primavera dos Livros, convidados da Espanha e Argentina discutem a edição independente

O primeiro dia da Primavera dos Livros São Paulo 2009, 10 de setembro, será dedicado aos editores e profissionais do livro, batizado, por isso, de Dia do Profissional. Além da Assembleia Geral da Libre-Liga Brasileira de Editoras, para discutir os rumos e prioridades do trabalho da entidade, uma mesa-redonda com parceiros da Espanha e da Argentina terá como tema "O editor independente no mundo ibero-americano".

Para esse debate, que acontece das 18h às 20h, estão confirmadas as presenças de Marcos López, da OQO Editora, e de Pep Durán, narrador, dono da tradicional livraria catalã Robafaves, professor do Ateneu de Barcelona e sócio da Anin (Associación de Narradores i Narradores de Catalunya), ambos da Espanha; e de Guido Indij, da La Marca Editora, de Buenos Aires, e membro da Edinar-Editores Independientes de Argentina por la Diversidad Bibliográfica. A mediação fica por conta de Cristina Warth, presidente eleita em agosto para a Libre.

A participação dos convidados internacionais contou com apoio da Embaixada da Espanha/AECID e da Universidade do Livro (da Fundação Editora da Unesp). Mais cedo, na agenda da Primavera dos Livros está a Assembleia Geral da Libre, que vai reunir os editores das 14h30 às 17h30. "Esse grande encontro de editores é a oportunidade para construir, com a colaboração de todos, uma pauta consistente de objetivos e metas para os dois anos da próxima gestão", afirma Cristina Warth (Pallas).

A abertura oficial do evento é às 10h, seguido de coquetel, no Centro Cultural São Paulo. A entrada é gratuita para toda a programação da Primavera dos Livros, de 10 a 13 de setembro, no Centro Cultural São Paulo. 

Entrevista: Ivana Arruda Leite

Para a contista e romancista, a Primavera dos Livros ajudar a furar o "esquema imposto pelos grandões"

A escritora Ivana Arruda Leite mudou o compasso da respiração e ingressou em nova cadência interna. Após três livros de contos, desde Falo de Mulher, em 2002, a também blogueira e cronista lançou seu primeiro romance, Hotel Novo Mundo, pela Editora 34. E já tem outro pronto, Alameda Santos, previsto para o início do ano que vem.

Os contos, que costumavam nascer em questão de poucos dias, foram substituídos pelo romance, que, nesse caso, levou quatro anos em produção."Entrei em outro ritmo. Sempre fui muito ansiosa, e acreditava que minha respiração era o conto. Mas não é bem assim", diz. "Desde então, não escrevi mais contos."

O processo de construção do romance, por sua vez, mostrou-se muito dinâmico. "Escrevo a sinopse e a vou engordando por dentro; esse é o grande barato", explica. Hotel Novo Mundo se passa no centro de São Paulo, onde vários personagens se entrelaçam à figura-chave de uma prostituta traída pelo marido rico, que larga tudo, inclusive a boa vida. De acordo com Ignácio de Loyola Brandão, "a ironia, o sarcasmo e o humor cortante saltam desde a primeira página". Mas Ivana garante que, diferentemente dos seus contos anteriores, em Hotel Novo Mundo, "o clima é legal, as pessoas são humanas, têm muita solidariedade, tudo termina bem, e é uma história de amor".

Por isso, "tinha certeza de que seria taxada de alienada", lembra a escritora. "A tendência da literatura contemporânea é uma coisa muito sem saída, sem perspectiva, com todo mundo à beira de um tiro no ouvido. Isso quando não vai para a marginalidade total – crime, prostituição, drogas, morte. E nesse romance, embora o cenário seja um hotel na 'boca', é como se as personagens tivessem uma ilha de humanidade ali no meio."

Ninguém a acusou de alienada. Na verdade, o crítico e ensaista Manuel da Costa Pinto, os escritores Cadão Volpato e José Rufino dos Santos, entre outros, fizeram elogios ao livro.

Outra novidade apontada por Ivana é o maior distanciamento. Nos contos, o texto é confessional, com personagens próximos à realidade da autora — "da questão da mulher, da quarentona, da cinquentona, da sessentona". Hotel Novo Mundo, no entanto, representou o que ela chama de radical exercício de criação. "Não conheço nenhum dos personagens na vida real, eles não se parecem com nenhum dos meus amigos. O romance caiu do além e por isso também foi tão bacana: a experiência de investigar e criar um mundo sem ter a menor referência dele."

Depois do fim do mundo
Ivana também saúda a nova geração de autores. Se a geração 90 vive às vésperas do fim do mundo e reúne um coro de descontentes, que Hotel Novo Mundo contraria, ela acredita que a geração seguinte, chamada geração 2000, está num mundo que já acabou. "É uma literatura pop, toda construída, muito irreverente, sem falar nas intersecções de linguagem."

Nesse caso, e escrevendo com qualidade, a escritora cita Carol Bensimon, Emílio Fraia, Vanessa Bárbara, Douglas Diegues, Antonio Xexeneski, Bruna Beber.

Hotel Novo Mundo teve apoio de programa de incentivo da Petrobras e pode ser encontrado no estande da Editora 34, durante a Primavera dos Livros, de 10 a 13 de setembro, no Centro Cultural São Paulo, com entrada gratuita. Ivana também deve passar por lá. "Já participei de uma Primavera e gostei muito. Acho esse evento super importante. Qualquer iniciativa de divulgação da literatura que fure o esquema imposto pelos grandões deve ser incentivada e é muito bem-vinda."

Primavera dos Livros chega à 14ª edição

Acontece em São Paulo, no Centro Cultural São Paulo, próximo à estação Vergueiro do Metrô, nos dias 10, 11, 12 e 13 de setembro de 2009, a partir das 10h. Na quinta-feira, dia 10, o público poderá conhecer as novidades editoriais somente a partir das 19h, logo após a cerimônia de abertura.

A Primavera dos Livros, que já entrou para o calendário cultural carioca e paulista, hoje é o principal evento do eixo Rio-São Paulo para divulgar catálogos de editoras independentes de todo o Brasil.

O evento gratuito deste ano terá como tema as diferentes formas de ler o mundo, a arte e a literatura em todos os seus gêneros e expressividades.

“Será, como sempre, uma grande festa para o leitor, onde estará disposta toda a diversidade do mercado editorial brasileiro – muito do que não se pode encontrar nas livrarias. Mais de 7.000 títulos a preços acessíveis”, anuncia Renata Farhat Borges, presidente da Liga Brasileira de Editoras (LIBRE), entidade que reúne 100 editoras independentes.

PRIMAVERA DOS LIVROS 2009

Local: Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso – São Paulo – SP
Data: De quinta a domingo (10 a 13 de setembro de 2009)
Horário: abertura (dia 10) a partir das 19h
De sexta a domingo – Das 10h às 22h.

A entrada é franca e todos os livros, inclusive lançamentos, terão descontos de 20% a 40%.