Edição independente e bibliodiversidade são destaque no <i>Valor</i>

Edição independente e bibliodiversidade são destaque no Valor

A edição independente e a bibliodiversidade no mercado editorial brasileiro são temas de destaque do jornal Valor Econômico do dia 30 de agosto. O texto, assinado pela jornalista Josélia Aguiar e publicado no caderno Cultura&Estilo, afirma que "a força cultural das independentes vem da disposição, e até ousadia, de investir em projetos que não disputam lugar em listas de mais vendidos". Sob o titulo "Pequenas, mas atrevidas", a reportagem registra também o crescimento da Libre e do mercado editorial brasileiro.

A matéria aponta o aumento da área destinada às editoras independentes na Bienal Internacional do Livro: “Uma diminuta área que não ultrapassa 120 metros quadrados, no mesmo pavilhão da bilheteria e entrada principal, está coberta por dez editoras independentes. É antes uma ocupação que resistência. Pois na edição passada, de 2011, eram apenas cinco”.

De acordo com o Valor, os números das independentes ainda são imprecisos. “Não é pela Calçada Literária ou pelos possíveis estandes pavilhões adentro no Riocentro que se pode avaliar o caminho das independentes. Território para grandes, as bienais não costumam ser lugar de preferência das pequenas” , enfatiza o jornal.

“À medida que aumentam em número, as independentes parecem adquirir cada vez mais força”, sugere a reportagem. "Força comercial, não sei se é possível dizer. Cultural, não tenho dúvida", afirma Haroldo Ceravolo, sócio da editora paulistana Alameda e à frente da Libre, uma rede de editoras independentes que trabalham cooperativamente pelo fortalecimento de seus negócios e do mercado para além dos grandes grupos editoriais.

Hoje com 117 associados, a Libre tem como um de seus objetivos mensurar e incentivar a bibliodiversidade, assunto que já vem sendo discutido com a nova diretoria do Livro e da Leitura do MinC. A defesa dos editores independentes em suas relações com o governo e o mercado e a busca de uma inserção crescente destes editores nos principais fóruns da cadeia do livro é um dos princípios da associação.

A reportagem do Valor acrescenta que "a força cultural das independentes vem da disposição, e até ousadia, de investir em projetos que não disputam lugar em listas de mais vendidos. Como poesia, ensaio e humanidades, gêneros considerados pouco comerciais. Reedições de obras esgotadas, traduções de autores de idiomas pouco disseminados ou revelação de novas vozes – que, muito depois de se firmar, têm seu passe comprado pelas grandes".

Em entrevista ao jornal, Alexandre Nodari, um dos fundadores da Cultura e Barbárie, de Florianópolis, afirma que  "o caminho das editoras independentes não pode ser o da imitação das grandes: devem buscar um modelo próprio e singular a cada uma, seja no catálogo, no processo produtivo, na relação com os autores e leitores, de preferência nos três eixos. Pelo menos é como tentamos fazer".

Alguns casos de sucesso de editoras independentes são apontados, como Demônio Negro, Grua, Patuá, Lote 42, Dobra, Bateia, Edith, A Bolha e Arte & Letra. A matéria ainda destaca que muitas das independentes pretendem criar um novo espaço, como contam ao Valor. "Assim como há as que querem crescer, há as que querem continuar do mesmo tamanho, sem ter em vista acelerar a produção ou potencializar o lucro".

O Valor ressalta a importância de eventos de incentivo à pequena edição e à bibliodiversidade. "A Primavera dos Livros, uma feira só para editoras com esse formato é realizada em três cidades brasileiras. Neste ano, a de Osasco vendeu mais de 150 mil exemplares, com cerca de 40 mil visitantes, informa a Libre. A do Rio está marcada para 24 a 27 de outubro no Museu da República. Ainda em fase de captação de recursos, a de São Paulo deve ser realizada em novembro, no centro. As independentes têm em São Paulo uma festa literária, a Flap, com debates gratuitos, cuja sétima edição vai de 20 e 22 de setembro na Casa das Rosas, Bibliotecas Mário de Andrade e Alceu Amoroso Lima, e no Espaço Satyros", registra a reportagem.

(O texto completo da reportagem está disponível para cadastrados no site do jornal  Valor Econômico)

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