Editora Guarda-Chuva lança <i>A festa é minha e eu choro se eu quiser</i>

Editora Guarda-Chuva lança A festa é minha e eu choro se eu quiser

As buscas aparentemente fúteis de uma geração se transformam em um romance denso e sentimental

“Quanto mais você se aproxima de ser um adulto bem sucedido mais você se afasta da felicidade.” Davi, o narrador do livro de estréia da jornalista carioca M. Clara Drummond, sabe exatamente o que está atraindo para sua vida quando aceita uma proposta de emprego que se encaixa com suas aspirações e se muda do Rio de Janeiro para São Paulo. À medida que sua carreira deslancha, a angústia e as incertezas aumentam, alojado de maneira incômoda no seu flat minimalista e clean.

O que torna Davi um narrador tão cativante não é o fato de encarar uma crise existencial em meio a antidepressivos, vernissages e bebedeiras, mas o quanto ele está ciente do processo pelo qual está passando, mesmo sem conseguir controlar muito bem sua necessidade de estar ao mesmo tempo dentro da cena e fora dela, de querer participar do universo cheio de glamour que sua fama recém adquirida lhe proporciona e ao mesmo tempo desprezar todo esse mundo de festas e drogas.

“Você não vai abrir mão das suas regalias. São as festas, são as meninas, os amigos badalados (…) é receber uma proposta de trabalho em São Paulo por um salário muito melhor, em um cargo muito melhor (…) conhecer mais e mais gente e assim vai crescendo seu status e sua suposta felicidade, que na verdade já deixou de ser felicidade há muito tempo, lá na sua primeira conquista, e agora é só um turbilhão de acontecimentos instagramados que vão se multiplicando, porque você sabe que se parar por um minuto você não volta do seu buraco interno jamais.”

Perdido entre os amigos de infância e os amigos da noite, um amor pra valer e os casinhos com mulheres interessantes, Davi vai se auto-sabotando até atingir um limite e ser obrigado a repensar todas as suas escolhas.

“E, então, sinto vergonha deles duplamente: de ser simplesmente quem eu sou e de ser esse calhorda que se esquece dos amigos de infância que me aturaram gordo e solitário em prol de uma dúzia de moleques e garotas que estão mais preocupados com suas vidas virtuais do que com qualquer outro assunto minimamente relevante para o ser humano.”

De acordo com Antonio Xerxenesky, responsável por escrever a orelha da obra, “Neste livro – que é, ao mesmo tempo, um romance de geração (com ecos de Bret Easton Ellis e Jay McInerney) e um romance atemporal-, o leitor não tem escolha além de juntar-se ao protagonista, que tateia no escuro em busca de uma saída, mesmo sem garantia alguma de que encontrará uma luz.”

Vale destacar que, na primeira semana de outubro, será lançado um book trailer do livro, dirigido por Anna Costa e Silva, mestre em artes visuais pela School of Visual Arts (NY), vencedora do Edward Zutrau Memorial Award da School of Visual Arts por seu projeto Assíntotas em 2013 e o American Austrian Foundation Prize for Fine Arts em 2012, com curtas metragens exibidos em festivais no Brasil, Estados Unidos, Europa e Austrália.

Sobre a autora
M. Clara Drummond é uma jornalista carioca nascida em 1986 e escreve sobre moda, história, literatura e cultura.

webmaster@criatudo.com.br

Deixe uma resposta