Literatura brasileira é nicho a ser explorado na Alemanha

Literatura brasileira é nicho a ser explorado na Alemanha

Com um pouco mais de um mês de diferença, Brasil e Alemanha homenageiam um ao outro na Bienal do Rio e na Feira de Frankfurt. 2013 é, portanto, um bom ano para apostar em títulos brasileiros na Alemanha, como é o caso da pequena editora independente Klaus Wagenbach, que começou a publicar livros brasileiros no ano passado. O editor da casa Marco Thomas Bosshard conversou com o PublishNews sobre seu trabalho e expectativas em relação à literatura brasileira na Alemanha.

O primeiro desafio foi encontrar quem lesse os originais. Bosshard conta que, antes de 2012, não havia ninguém que lesse em português. Superada a barreira da língua, a editora já publicou nove títulos brasileiros, que variam de autores renomados como Graciliano Ramos e João Ubaldo Ribeiro, a Rachel de Queiroz e Paulo Scott. A maioria, porém, já havia sido publicada e os livros estavam esgotados. Outros, como é o caso do Habitante Irreal, de Scott, são lançamentos.

“Nós fizemos isso também em 2010 com a Argentina, que era o país convidado de honra da Feira de Frankfurt daquele ano. Mas a situação era diferente, pois tínhamos uma seleção muito boa de autores argentinos. Não era o caso do Brasil, por isso eu estava um pouco cético no começo”, comenta Bosshard.

Três dos seis livros publicados em maio já tiveram reimpressões. Um dos mais vendidos promovidos pela editora, porém, não é de literatura brasileira: é Copacabana, um livro de não ficção que conta como a praia carioca ganhou sua fama mundial, escrito pelo alemão Dawid Danilo Bartelt, que mora no Brasil.

As capas das edições são bem coloridas e enfatizam o clichê do “país tropical”. “São capas que chamam a atenção do leitor. Acho que isso dá certo como estratégia de vendas, mesmo que o leitor acabe se surpreendendo com o conteúdo”, explica Bosshard, quase em tom de desculpa.

Apesar dos bons indícios iniciais, Bosshard lembra que ainda é cedo para saber se os livros brasileiros venderão bem. Segundo o editor, muitas vezes o sucesso de um título depende das livrarias. Se a editora não comprar a exposição e o livreiro não gostar do livro, dificilmente ele irá para frente.

Mesmo assim, a Wagenbach pretende publicar outras traduções de autores como Graciliano Ramos (uma tradução da coleção de memórias Infância está a caminho) e, possivelmente, mais um romance de Paulo Scott, revelou Bosshard.

“Os alemães conhecem muito pouco sobre a cultura brasileira. Então você tem um nicho que precisa ser trabalhado. O Brasil não pode ficar de fora quando falamos sobre literatura latinoamericana”, declara o editor, “o momento de publicar literatura brasileira é agora”, completa.

(Fonte: Publishnews)

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