“Papel da Libre é defender um mercado editorial mais justo e equilibrado”, diz Raquel Menezes, nova presidente da Libre

“Papel da Libre é defender um mercado editorial mais justo e equilibrado”, diz Raquel Menezes, nova presidente da Libre

Raquel Menezes, editora da Oficina Raquel, foi eleita presidente da LIBRE para o biênio 2015-2017. Desde 2013 integra a diretoria da entidade.  É formada em Letras pela UFRJ, onde atualmente cursa o Doutorado em Literatura Portuguesa. É também editora da Pequena Morte (www.pequenamorte.net), revista de literatura e cutura, fundada em 2005. Confira abaixo a entrevista com a nova presidente da Libre:

1. Qual sua trajetória dentro da Libre?

Raquel: Perto de outros editores, sou novata. Entrei na Libre em 2012. Conheci a entidade por meio da Primavera dos livros. Mas desde o começo me senti muito acolhida. Acho que as Primaveras e o projeto da Libre respondiam a algumas das questões que eu vivenciava na editora. Desde o começo senti uma entidade aberta à participação de todos os sócios. Integrei a gestão anterior e participei, sobretudo, da organização da Primavera e da Casa Libre/Nuvem de Livros em Paraty.

2. Como você avalia a gestão passada? Qualidades, defeitos?

Raquel: A gestão comandada pelo editor da Alameda, Haroldo Ceravolo, permitiu à entidade um crescimento substancial, tanto em seu número de associados, como em sua estrutura administrativa. A nossa sede estar cada vez mais bem estruturada, bem como a Diretoria dividida em setores, é um trabalho de profissionalização da entidade, legado deixado por Haroldo. A gestão que assume agora terá de fazer alguns ajustes administrativos para executar seu plano de gestão. Assim, graças ao crescimento e à profissionalização que a entidade teve nas últimas duas gestões (que, aliás, devem também muito ao trabalho da Cristina Warth, da Pallas, da Renata Farhat, da Peirópolis, do Araken Ribeiro, da Contracapa, do Angel Bojadsen, da Estação Liberdade  e da  Camila Perlingeiro, a grande “culpada de tudo”, da Pinakotheke), o trabalho do grupo que assume agora poderá ser mais voltado a apresentar as posições da Libre em defesa de um mercado editorial mais justo e equilibrado junto à opinião publica, ao próprio mercado de livros e até mesmo para os próprios associados. Poderemos assim, focar em novas alianças políticas, que viabilizam um maior posicionamento da entidade na cadeia do livro, em defesa da bibliodiversidade.

3. Qual é o papel da Libre no mercado de livros na sua visão?

Raquel: O papel da Libre é movimentar o mercado livreiro na tentativa de proporcionar um equilíbrio entre os grandes grupos e as pequenas e médias casas editoriais. Buscamos o fortalecimento do editor independente, aquele que idealiza sua política editorial com plena autonomia, ou seja, livre da pressão de grandes grupos empresariais e das demandas marqueteiras. A Libre, por entender que o produto que defende, ou seja, o livro, é um bem cultural, aposta no diálogo e na reflexão, atuando em prol de sua principal bandeira, a BIBLIODIVERSIDADE.  Ou seja, cabe à Libre cobrar condições de efetiva igualdade nas compras governamentais e discutir publicamente com os setores de cultura o papel do editor independente. Tudo isso para que na ponta da cadeia, o consumidor, ou melhor, o leitor, tenha acesso não somente a projetos editoriais que atendem a interesses de grandes grupos, mas também a concepções que se desdobram em debates de ideias e desenvolvimento do pensamento crítico.

4. Quais suas expectativas?

Raquel: Com a amplitude conquistada pela Libre, a diretoria que assume espera ver um aumento da visibilidade da entidade em discussões sobre o mercado editorial e nas compras governamentais. Isso porque, nas importantes questões do mercado editorial, a nossa voz precisa ecoar, e, com isso, nosso princípio de bibliodiversidade ser considerado, inclusive internacionalmente. Acredito também, que, como entidade, podemos cobrar das organizações ligadas à cultura e à educação uma maior atuação de nossos associados na cadeia do livro. Além disso, estamos engajados, juntamente com outras entidades, sobretudo a ANL (Associação Nacional de Livrarias), no debate da lei de preço único do livro que está em tramitação no Congresso Nacional. Tudo isso sempre pensando e lutando pela expansão do conceito de bibliodiversidade e da independência editorial.

5. Três ex-presidentes e outros três tradicionais militantes da entidade integram o conselho fiscal. Como e por que você chegou a essa composição?

Raquel: Acredito que a continuidade no trabalho de renovação da diretoria realizado pelo Haroldo deve ser feito. Afinal, graças a esta oportunidade a novos associados que cheguei à diretoria há dois anos e hoje à presidência. No entanto, em um momento tão decisivo para o crescimento e a profissionalização da Libre, como assinalei anteriormente, acho bom buscar um entendimento da trajetória da entidade, e, para isso, nada melhor do que o precioso auxilio de ex-presidentes, ex-vice-presidentes e tradicionais militantes. Coube a eles o Conselho Fiscal, primeiro porque é um setor que merece muita atenção, já que aprova orçamentos e balanços, mas também porque espero deste setor mais do que a aprovação das ações executadas – quero um auxilio objetivo nas tomadas de decisões financeiras. Creio que isso aprimorará o planejamento e a atuação desta gestão, que se compromete em ser ainda mais dedicada à transparência e aberta ao diálogo com as editoras associadas.

6. Como você avalia o momento atual do mercado de livros no Brasil e como você acha que a Libre atua neste mercado?

Raquel: É sabido que nosso setor vem enfrentando uma crise, seja porque temos de lidar com o problema antigo de pouco incentivo à leitura, desde a formação de base até a vida adulta, seja porque novas estratégias de mercado chegam de forma agressiva. A venda de livros sofre uma queda, como apontam os dados apresentados pelo SNEL, em parceria com o Nielsen. Como lidamos com um produto necessário, diria mais até, indispensável, que, no entanto, é costumeiramente tratado como supérfluo, a Libre tem como uma de suas missões lembrar e cobrar dos setores de cultura e de educação o nosso papel indispensável, como empresas individuais, na formação de leitores, logo, de cidadãos. Além disso, cabe à Libre, seja em seus eventos, seja em suas ações políticas, proporcionar aos seus associados alternativas para aumento de receita, mas, claro, sempre respeitando a cadeia do livro.

Leia aqui a proposta e a composição da Chapa LIBRE INOVA.

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