Segundo dia da Casa Libre e Nuvem de Livros discute política da leitura, educação e cultura, intolerância sexual, opressão e ficção

Segundo dia da Casa Libre e Nuvem de Livros discute política da leitura, educação e cultura, intolerância sexual, opressão e ficção

Para quem esteve na Casa Libre e Nuvem de Livros, na FLIP, nesta sexta-feira, 03/07, teve, certamente, uma jornada inesquecível. A multiplicidade dos debates e a riqueza da programação ficou evidente desde a manhã até a noite, período que assistiu a várias manifestações literárias, políticas e de pensamento.

Reunindo o Secretário do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), José Castilho, a Senadora Fátima Bezerra e os presidentes de importantes entidades representativas da cadeia do livro, Afonso Martin (ANL – Associação Nacional do Livro) e Raquel Menezes (Libre), o debate “Um país a ler” promoveu uma urgente conversa sobre, não apenas o livro como item indispensável de qualquer processo educacional responsável, mas também os impasses de um país que se proclama “Pátria educadora”. Foi entregue à Senadora o manifesto “Brasil, Nação leitora”, assinado pela ANL, pela LIBRE, pela ABRELIVROS (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares) pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) e pelo SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), que visa à preservação dos programas educacionais ligados ao livro diante dos atuais cortes orçamentários.

Dando ao tema intolerância, norteador da edição 2015 da Casa Libre, um enfrentamento veemente e direto, a mesa “Ditaduras: da exceção à opressão” reuniu Marcelo Godoy e Bruno Bimbi. Bimbi, autor do livro Casamento igualitário, da editora Garamond, relatou a luta que ajudou a concretizar na Argentina para a aprovação do casamento homoafetivo, além das mudanças que esse processo empreendeu nas mentalidades daquele país. Godoy, autor de A casa da vovó, da Alameda, comentou a experiência de pesquisa que o levou a conversar com diversos ex-integrantes do DOI-COD no período da ditadura militar brasileira, material que alimenta seu livro. A discussão, de fôlego, tocou o tema da intolerância por dois de seus flancos mais flagrantes e atuais, pois nosso tempo é pródigo em não aceitar a diferença no que toca à orientação sexual e em replicar diversas violências oriundas de procedimentos autoritários.

No território da culinária e da gastronomia, Carlos Dória trouxe sua reflexão já madura e sólida sobre a história da alimentação no Brasil, e também perspectivas e desafios que se impõem a esse campo. Além de suspeitar de qualquer relação com culinária que não seja, intrinsecamente, uma manifestação de e na cultura, Dória trafegou por vários aspectos de interesse em seu tema, como o entendimento do que seja culinária brasileira, nas vertentes que o autor chamou de “legítima” e “legível”.

Para encerrar dia tão especial, Antônio Torres, um dos mais destacados escritores brasileiros, e curador de literatura da Nuvem de Livros, deu uma grande e simpática aula para audiência embevecida. Torres comentou seus livros, processos de escrita, memória e o intrínseco comprometimento de seu trabalho com a criação de margens para a invenção de mundos no mundo.
A Casa Libre e Nuvem de Livros, mais uma vez, mostra seu compromisso com consistência e com uma postura de transformação do mundo pelo cultivo do livro e da leitura.

webmaster@criatudo.com.br

Deixe uma resposta